segunda-feira, 24 de maio de 2010

Gelatina de framboesa com iogurte grego


Há que começar a semana de forma sensata, mas envolvidas numa atmosfera de cores e de aromas condizentes com a estação primaveril. Aproveito também para recordar a velha máxima de que o Sol quando nasce é para todos, assim também é necessário pensar nos que por razões várias, que não são só estéticas, precisam de cuidar da sua alimentação. Nessas situações há pequenos mimos, perfeitamente inócuos em termos alimentares, que são capazes de suavizar os problemas diários. É um pouco pensando nas pessoas que se encontram nessas situações que às vezes idealizo este tipo de receitas. O rosa destas minhas gelatinas é por isso o rosa da esperança e um convite ao desfrutar de pequenos (ou grandes?) prazeres, numa atmosfera de ócio e de paz.

As framboesas com que preparei estas gelatinas foram comprados este sábado no mercado biológico perto da minha casa. Algumas ainda vinham com os pés espinhosos, que foi necessário retirar com cuidado. Estavam no ponto certo em termos de maturação! Na verdade, bastante diferentes das que costumo comprar no supermercado. Passeia-as por água e coloquei-as numa taça, reduzindo-as depois a puré com a ajuda de uma colher de pau, mas sem fazer qualquer esforço para obter um creme homogéneo. É sempre agradável encontrar bocadinhos de fruta inteira. A este puré de framboesas juntei dois iogurtes gregos com 0% de gordura, misturando de novo.

Num tacho pequeno coloquei duas colheres de chá de agar-agar e deixei de molho 10 minutos em 250 ml de água, seguindo as instruções da embalagem. Depois adicionei uma vagem de baunilha aberta com uma faca e raspado o seu interior. Penso que quando não se adiciona açúcar a baunilha é sempre uma boa forma de compensar a sua falta. Deixei ferver a gelatina durante 5 minutos e juntei posteriormente este liquido ao puré de framboesas. Misturei de forma suave e deitei em formas previamente molhadas com água fria. Depois de algumas horas de frigorífico foi só desenformar e começar a saborear esta pequena sobremesa.

domingo, 23 de maio de 2010

Bolo de chocolate e coco


Ultimamente não tenho colocado entradas no meu outro blogue - As receitas da minha mãe, mas não é por ter deixado de fazer uns bolinhos ao fim-de-semana cujo destino são os pantagruélicos lanches dos meus pais. Acontece porém que as entradas que faço nesse espaço precisam de um maior tempo de elaboração a vários níveis, ao contrário das que aqui faço, as quais são feitas ao correr da pena e da colher de pau.

Este bolo teve como único ponto de partida a ideia de que queria fazer algo com chocolate e coco. A preguiça, ou melhor, o cansaço para ser mais justa comigo própria, fez com que não fosse consultar qualquer livro e resolvesse começar a juntar ingredientes. Claro que à partida, porque já fiz muitos bolos, tenho uma ideia do que é normal introduzir na massa para ficarem com a consistência esperada. Embora às vezes, este princípio não me corra muito bem! Mas também há todo um lado emocionante de saber como vai resultar e de pensar em fazer algumas alterações em nova edição da receita.

Neste caso comecei por derreter 125 g de chocolate preto (Lindt) a que juntei depois 75 g de margarina Becel, quando o primeiro ainda estava quente. Bati até obter um creme homogéneo. À parte, bati 100 g de açúcar mascavado com 4 gemas, até ficar com um creme esbranquiçado a que juntei depois a mistura anterior de chocolate. Adicionei depois 2 iogurtes naturais magros, 100 g de coco, 100 g de farinha de arroz, 100 g de farinha de araruta, 1 colher de sopa rasa de fermento em pó e 1 colher de chá de extracto de baunilha. Depois de misturar tudo bem, adicionei as 4 claras em castelo, com movimentos suaves para que estas não abatessem. Foi ao forno durante cerca de 25 minutos a 200ºC.

Apenas por estar com pressa é que não cobri o bolo com chocolate negro derretido. Penso que teria ficado bastante bem, realçando ainda mais o sabor.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Centros de alface no forno

A inspiração desta receita veio de um programa da Nigella. Nunca me tinha ocorrido assar os centros das alfaces, mas gostei muito do resultado. Já não me recordo que temperos ela usava, porque na altura não tomei nota, mas a ideia presta-se a muitas variações.

Depois de passar as alfaces por água e de as colocar num tabuleiro de ir ao forno reguei-as com um fio de azeite. À parte, numa frigideira tostei 2 colheres de sopa cheias de sementes sésamo, 1 colher de chá de mostarda em grão e 1 colher de chá de sementes de coentros, trituradas antes no almofariz. O processo levou muito pouco tempo porque as sementes rapidamente começam a saltar e é necessário retira-las do lume, mesmo assim este procedimento ajuda a activar o sabor dos condimentos. Depois deitei a mistura sobre as alfaces e levei ao forno durante 20 minutos.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Bolo de alfarroba com ruibardo

Há alturas em que tudo se avaria. Ando num período desses, com crises e emergências quase constantes na minha cozinha. Tudo começou com a máquina da loiça, mas o vírus está a espalhar-se a outros electrodomésticos e mesmo às canalizações. Claro que com esta situação, como diz uma colega, "não há condições para trabalhar". Creio que se ganhasse o euromilhões seria o primeiro sonho a concretizar - uma cozinha nova, com uma boa gestão dos espaços e uns lindos armários. Deixaria para segundo plano outros desejos mais fúteis, que nem me atrevo a revelar.Este bolo de alfarroba e ruibardo foi realizado no início da epidemia que lastra na minha cozinha.

Comecei a misturar ingredientes até obter uma consistência que julguei adequada para um bolo. Mas primeiro cortei 4 a 5 talos de ruibardo e assei no forno com um pouco de água (3 cm de altura) e 2 colheres de sopa de açúcar amarelo. Este processo demorou 30 minutos. Depois coloquei a escorrer num passador umas horas.

Para a massa do bolo utilizei: 150 g de farinha, 100 g de farinha de alfarroba, 1 colher de sopa de fermento, 2 iogurtes magros, 1 dl de leite, 2 ovos, 1 colher de chá de canela, 1 colher de café de extracto de baunilha e 3 colheres de sopa de açúcar. A esta massa juntei o ruibardo aos bocados, mas apenas escorrido para ficar com bocados inteiros. Coloquei numa forma forrada e levei ao forno cerca de 20 a 30 minutos.

Devido ao ruibardo o bolo fica com uma consistência apudinada. Achei curioso porque mesmo os mais gulosos, que sempre protestam por eu colocar pouco açúcar nos doces, gostaram deste bolo. Provavelmente por ser uma mistura inesperada.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Arroz doce com chá Matcha


Se fosse possível comia sempre no final das refeições uma bela sobremesa, daquelas altamente calóricas, que incluísse todos os excessos possíveis: açúcar, gemas, chocolate, chantilly e por ai fora. Mas não posso! E como eu muitas outras pessoas que precisam de controlar o peso. Por isso, procura inventar receitas que embora com algumas calorias sejam relativamente inócuas para a saúde. Foi assim que surgiu este arroz doce com chá Matcha, que é um chá verde em pó, usado na cerimónia japonesa do chá.

Para a sua preparação comecei por colocar a ferver 1 chávena de arroz carolino (Companhia das Lezírias), com 3 chávenas de água, 1 casca de limão e 1/2 colher de sopa de manteiga. Quando já estava cozido deitei adicionei 2 colheres de sopa de açúcar amarelo e 1 gema que misturei previamente com um pouco arroz. Deixei ferver mais um pouco para cozer a gema. Por último, juntei 1 colher de chá de Matcha ainda ao lume, mas deixando ficar a seguir apenas 2 ou 3 minutos. Deitei em taças e polvilhei com canela. Claro que se tivésse levado mais açúcar, mais gemas e mesmo mais chá teria ficado muito melhor, mas mesmo assim achei bastante agradável.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pato assado

Embora goste bastante de arroz de pato nunca me recordo de o ter feito em casa. Penso que já em tempos tinha comprado um pato, mas também não me lembro do destino que lhe dei. Por isso, esta compra saiu um pouco do que são as minhas opções normais, quando vou ao talho ou ao supermercado. Pensei apenas em mudar um pouco de sabor, alternando-o com a habitual carne de frango, peru e coelho. Porém, lembrei-me bastante da minha mãe e dei-lhe razão quando ela se queixava que dava muito trabalho a preparar. Primeiro são os restos das penas que é necessário retirar com uma pinça, depois o excesso de gordura que é preciso cortar, e, por último, ainda temos um animal que nos fornece muito pouca carne. Enfim! Não sei se depois desta experiência voltarei a comprar outro pato, pelo menos enquanto me lembrar deste. Apesar de todas estas minhas lamúrias, quem o comeu até gostou, por isso resolvi coloca-lo neste espaço.

Chega agora o momento de referir as torturas porque passou o animal (e a cozinheira) até ele ficar com este bronzeado, com que surge na fotografia. Comecei por retirar mais umas gorduras, para além das que já tinham sido retiradas no talho. Depois passei à fase da "pinça", pensando que seria capaz de depilar o animal na perfeição. Rapidamente me apercebi que era um objectivo irrealista e desisti. Preferi chamusca-lo um pouco. A seguir decidi utilizar uma técnica cuja descrição encontrei num livro de cozinha. Enchi um wok com água a ferver, até 2/3 de altura, e sujeitando a ave por uma mão deitei sobre ela conchas de água quente. Isto deveria permitir que os poros ficassem fechados e a pele preparada para ser assada, formando no final uma crosta.

Numa assadeira coloquei 4 cenouras grandes (peladas) e sobre elas o pato, atado com um cordel para ficar mais "elegante". Deixei assar 15 minutos a 250º C e mais 20 minutos a 200º C. De seguida comecei a pincela-lo com uma mistura feita com molho de soja, vinagre balsâmico e mel. De 10 em 10 minutos tirava o pato para fora, virava-o e pincelava a pele exterior. É importante referir que a meio do processo foi necessário escorrer a gordura que se tinha formado na assadeira, por ser em excesso. Ao todo talvez tenha levado cerca de 1 hora e meia no forno, isto porque eu tenho sempre medo que as aves não fiquem bem assadas.

Tomates no forno

Muitas vezes são os pratos mais simples e aqueles que fazemos rapidamente, que nos fornecem maior satisfação. No meu caso ando sempre à procura de novas formas de comer vegetais e legumes, que são neste momento parte importante da minha dieta alimentar. Por isso fui atraída pelas receitas de tomates assados que surgem com muita frequência nas revistas francesas. Claro que é preciso ter o cuidado de utilizar frutos de boa qualidade, isto é, de agricultura biológica, que nos possam garantir que não corremos grandes riscos ao utilizar os tomates com pele.

A receita é de extrema simplicidade. Lavei um cacho de tomates e sequei-os bem com papel de cozinha. Depois coloquei-os numa assadeira de barro de Bisalhães, reguei-os com um fio de azeite e polvilhei com uma mistura de ervas da Provença. Por último, e porque o vi referido numa revista, salpiquei com um pouco de açúcar amarelo. Penso que este último ingrediente apenas se justifica na medida em que pode fornecer algum efeito caramelizado. Foram ao forno juntamente com outra travessa com vegetais durante aproximadamente 30 minutos.

domingo, 16 de maio de 2010

Empada de frango com quiabos (4º episódio da saga dos iogurtes)

Com esta receita termino a saga dos iogurtes ácidos. Porém, creio que depois desta sequência de pratos irá permanecer alguma tendência para introduzir iogurte (natural e magro) nas mais variadas preparações.

Esta empada começou pela necessidade de utilizar uma embalagem de quiabos que tinha comprado, antes de uma das minhas viagens, de forma a não se estragarem e poderem ser congelados. Assim, preparei um molho de tomate a que depois juntei os quiabos e deixei ferver durante 15 minutos, congelando-os depois de frios. Quando os descongelei coloquei-os de novo a ferver com 1 colher de chá de caril e juntei-lhes ainda 3 peitos de frango cortados aos cubos. Deixei ferver mais 20 minutos.

À parte, preparei uma massa, seguindo uma receita da Babette: 2 e 1/2 chávenas de farinha, 130 g de margarina Becel, 200 g de iogurte e sal q.b.. Dividi a massa em duas porções que estendi com um rolo. Com a primeira forrei uma tarteira onde depois coloquei o recheio, tapando depois com a outra rodela de massa, tendo o cuidado de unir bem a massa no bordo. Pincelei com gema de ovo e levei ao forno por cerca de 20 minutos.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Batata doce com crosta de bulgur


Vou fazer um pequeno intervalo na saga dos iogurtes para me referir a um outro ingrediente que também gosto muito de usar - o bulgur. O que utilizei nesta receita já tinha sido cozido há alguns dias, mas como o tinha feito em excesso, congelei-o para o aproveitar mais tarde.

Num tabuleiro de ir ao forno coloquei batata doce descascada e cortada transversalmente em fatias com cerca de 1 cm de espessura. Quanto ao bulgur temperei-o com 3 dentes de alho picados, 3 colheres de sopa de queijo parmesão ralado, folhas de hortelã picadas e 2 colheres de sopa de azeite. Misturei bem e coloquei por cima das rodelas de batata doce. Depois polvilhei o bulgur com queijo e levei o tabuleiro ao forno durante cerca de 45 minutos. A batata doce, por qualquer razão que não consigo identificar, levou bastante tempo a cozer, de tal forma que foi necessário colocar uma folha de alumínio por cima, para o queijo não tostar muito.

Bolo de iogurte com cranberries (3º episódio)


Este bolo, que surgiu apenas da necessidade de gastar os iogurtes, ficou bastante bom. Às vezes acontece! Também gosto da fotografia que para mim transmite um sentimento de gulodice recalcada que de repente se liberta e "ataca", em sentido literal, o bolo acabado de sair do forno.

Para a massa deste bolo utilizei os seguintes ingredientes: 100 g de farinha de milho fina, 125 g de farinha de arroz, 1 colher de sopa de fermento, 3 iogurtes naturais magros, 3 ovos inteiros, 4 colheres de sopa de açúcar amarelo, 1 colher de chá de essência de baunilha, 1/2 chávena de cranberries picados. Depois de tudo misturado coloquei numa forma lisa de silicone, que tem vindo a prestar bons serviços. Penso que este bolo só tem a ganhar se não ficar muito alto, até porque a massa fica com uma consistência bastante fluída. A utilização da farinha de arroz é um aspecto importante porque ajuda a dar leveza ao bolo.