segunda-feira, 31 de maio de 2010

Travesseiros com recheio de pato e alho francês


Embora as férias se aproximem e com elas se entre num período de festejos e folguedos vários, a verdade é que todos nós em maior ou menor grau sofremos as consequências de uma crise económica, que há muito deixou de ser figura de retórica para passar a afectar as nossas carteiras. No que toca à alimentação importa ter em conta preços e principalmente a boa gestão do que adquirimos. Por essa razão resolvi criar uma nova etiqueta a utilizar sempre que se tratar do aproveitamento de algum tipo de sobras. Recordo-me que há muitos anos atrás, diria mesmo décadas, existiam livros e revistas de culinária dedicadas apenas a este tipo de receitas. Mas esse espírito desapareceu e hoje encontramos quase só revistas que a diversos níveis fazem apelo ao luxo. Com isto não quero ser mal interpretada e pensarem que de repente estou a passar por uma fase radical. De todo! Isto é apenas uma reflexão.

Outro dia li uma entrada num blogue americano que me fez meditar sobre este assunto. O autor manifestava o seu espanto e crítica perante aquilo que ele observava nalguns sites e questionava-se se os seus responsáveis comeriam realmente tudo o que apresentavam. Não sei qual é a experiência das minhas colegas nesta matéria, mas eu tenho sempre uma lista de receitas e respectivas fotografias à espera de serem colocadas no blogue. Nunca em momento nenhum senti que o blogue me fazia desperdiçar comida. Pelo contrário, permiti-me ter uma melhor qualidade na alimentação e também uma melhor gestão dos alimentos e das refeições. Aliás, introduzi algumas "correcções" no meu comportamento como blogger, porque me apercebi que se me deixasse levar pela gulodice desenfreada e pelo excesso, o meu blogue teria de ser novamente encerrado para eu fazer dieta. Foi uma lição que aprendi e não quero repetir o erro.

Mas voltando aos aproveitamentos, porque hoje estou a ficar muito séria e também não é caso para isso, estes travesseiros que faço com diversos recheios são excelentes para aproveitar restos. Já os tinha colocado no outro blogue (A minha cozinha), mas volto agora a relembrar a sua receita:

Massa
250 g de farinha
125 g de margarina
1 ovo
sal e água suficiente para amassar

Recheio
4 alhos franceses finamente picados
1 colher de sopa de margarina
restos de pato assado
1 cm de gengibre ralado
3 colheres de sopa de sementes de sésamo
1 colher de chá de mayzena (para ligar o recheio)
sal q.b.

Fiz uma espécie de refogado com o alho francês e a margarina a que juntei depois os outros ingredientes, deixando para o fim a mayzena. Deixei arrefecer e depois montei os travesseiros, utilizando a massa anterior, que entretanto tinha ficado no frigorífico cerca de 30 minutos. Antes de irem ao forno pincelei-os com gema de ovo.

"Viva a sardinha" - Pão de sardinhas (3)

Basta andar por Lisboa para as encontrar penduradas em candeeiros, balançando-se ao sabor do vento, ou coladas em cartazes. As sardinhas (em papel e ao vivo) começam a invadir a cidade nesta altura do ano. Desta vez podemos escolher entre vários modelos, os quais têm em comum o domínio do vermelho e do verde.

Levada por esta maré resolvi libertar umas quantas sardinhas, presas em duas latas, e voltar a dar-lhes vida numa nova versão de pão de sardinhas.


Procurei seguir o mote com que termina o manifesto que anuncia as festividades da cidade de Lisboa - 2010.

Às Festas ... Às Festas! Pelo vermelho do excesso e pelo verde da vida" ...

Às sardinhas preparei-lhes um leito vermelho, para que pudessem repousar em rubras cores. Exagerei na polpa de tomate, como recomendam as palavras de ordem . Para compensar e dar-lhes o verde da vida, coloquei um ramo de alecrim em cima. Também poderia ter optado por manjericão, só não o fiz pela delicadeza das suas folhas que teriam ficado certamente muito ressequidas no forno.


Mas não lhe faltou a companhia de um vaso de manjerico depois de terminado.

Para quem quiser experimentar esta nova receita de pão de sardinha, aqui fica:

. 2 chávenas almoçadeiras de farinha com fermento
. 1 pacote de polpa de tomate (210 g)
. 1/3 de chávena (almoçadeira) de azeite
. 3 ovos
. 6 talos de alho fresco cortados às rodelas finas
. hastes de alecrim
. 2 latas de sardinhas sem pele nem espinhas e conservadas em azeite


Comecei por preparar a massa. Depois deitei metade numa forma de bolo inglês e coloquei por cima uma camada de sardinhas, tendo o cuidado de escorrer bem o azeite. Adicionei o resto da massa, terminando por enterrar as hastes de alecrim no centro do pão. Foi ao forno cerca de 45 a 50 minutos, o tempo necessário para ao espetar um palito na zona central este sair seco.

domingo, 30 de maio de 2010

Queques "descabelados"

Esgotavam-se as últimas horas de uma tarde de sábado, atípica em alguns aspectos. A anunciada avaria da televisão tinha-se finalmente concretizado. Já há dias que o aparelho resistia a ser ligado, mantendo-se durante minutos, que aumentaram progressivamente, num ritmo enervante de "clique, clique, ..." até finalmente aparecerem umas riscas no ecrã e por fim a imagem. Mas hoje isso não aconteceu! Estamos por isso a redescobrir o silêncio propício à leitura e à escrita.

Tenho diante de mim um bule com chá e um tabuleiro de queques. Olho para eles, sorrio, e penso que os vou baptizar de "queques descabelados", porque os pedacinhos de chocolate em pé lembram-me a cabeleira de alguém completamente desesperado. Enquanto como um desses queques e bebo uma chávena de chá Butterfly Taiwan, um Wu Long de sabor suave e com baixo teor em teína, leio a entrevista que o Drº. David Servan-Schreider deu ao jornal Público (29 de Maio de 2010). Sou sua admiradora e sigo-lhe os conselhos. Por isso, fico entusiasmada quando no final da entrevista refere que está a "trabalhar num livro de receitas de cozinha, com indicações muito precisas em termos de alimentação. É que convém que o resultado seja saboroso". A afirmação é ainda mais surpreendente na medida em que é colocada em paralelo com um projecto de investigação na Universidade do Texas.

A propósito de livros de cozinha, hoje passei pelo site da "minha editora" online e tive a agradável surpresa de verificar que ao fim de 6 meses consegui vender um e-book. Só espero que não tenha sido sido a nenhum familiar, nem amigo, tal facto deixaria o meu ego de rastos, muito mais do que ter vendido apenas um livro. Nunca percebi muito bem o funcionamento da dita empresa e já por diversas vezes tenho estado tentada a retirá-lo do espaço virtual. Dou mais uma dentada num "queque descabelado" e bebo outro gole de chá. Fico mais calma e reconsidero, decido que vou manter o livro. Afinal o iPAD está a chegar a Portugal e quem sabe se depois não se transforma num sucesso.

Mas voltando ao Drº. Servan-Scheiber fico a pensar que ele aprovaria esta receita de queques. Primeiro porque usei farinhas de origem biológica (arroz e alfarroba), para além disso também os enriqueci com ómega 3 através da adição de sementes de linhaça moídas e de nozes. Claro que em lugar do chocolate branco, teria sido mais saudável colocar chocolate preto na cobertura, mas teria perdido o efeito "descabelado" com que ficaram. E afinal sorrir também é um bom remédio.

Para quem quiser experimentar estes saudáveis queques, aqui fica a receita:

2 chávenas de chá de farinha de arroz
1/2 chávena de chá de farinha de alfarroba
1 colher de sopa de canela
1 colher de sopa (bem cheia) de sementes de linhaça moídas
4 colheres de sopa de açúcar mascavado
1 colher de sopa (rasa) de fermento
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de extracto de baunilha
1 mais 1/2 chávena de chá de leite magro
2 ovos
1/2 chávena de nozes grosseiramente partidas

Misturar tudo e colocar em formas de queques. Tem um tempo de cozedura entre os 15 e os 20 minutos. Quanto à cobertura, esta foi feita com os queques já frios, e para o efeito utilizei umas "gotas" de chocolate branco com sabor a laranja que comprei, em Madrid, numa casa especializada em chocolates. Estas "gotas" derretem-se muito facilmente no microondas e podem ser depois utilizadas como cobertura. Por brincadeira resolvi dar este efeito "descabelado".

Couves pak-choi no forno com cherovias


Comer vegetais em grande quantidade é um conselho que levo bastante a sério, por isso estou sempre a procurar novas formas de os preparar. Neste caso comecei por cozer as cherovias em água apenas temperada com um pouco de sal. Quanto às couves pak-choi, depois de lavadas e dividas aos quartos no sentido longitudinal, passei-as no wok por azeite aromatizado com três alhos laminados. Deixei que murchassem um pouco, mas este tipo de verdura não necessita ser completamente cozida. Aliás dessa forma perderia toda a graça e provavelmente parte dos nutrientes. Num prato de ir ao forno coloquei em primeiro lugar a camada das cherovias já cozidas e a seguir as couves. À parte misturei um pacote de creme de cozinha de arroz, que é um substituto das natas, com um pouco de óleo de sésamo torrado e meio pacote de parmesão ralado (20 g). Deitei o creme em cima das couves e por último polvilhei de sementes de sésamo pretas. Foi ao forno apenas o tempo suficiente para alourar.

sábado, 29 de maio de 2010

Salada de bulgur com cogumelos


Esta salada foi preparada para servir de jantar num dos dias da semana que agora termina. É muito simples e saudável. Comecei por fazer um refogado com azeite, cebola roxas às rodelas finas e 2 alhos picados. Quando a cebola estava meio murcha juntei-lhe os cogumelos em fatias grossas e deixei-os cozer ligeiramente. Temperei esta mistura com sal. À parte, cozi bulgur seguindo as instruções do pacote. Depois deste último estar pronto juntei-lhe as cebolas com os cogumelos, algumas azeitonas pretas, assim como nozes picadas. Para terminar adicionei um pouco de queijo parmesão ralado.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Salmão com crosta de manjericão e azeitonas pretas


Este salmão no forno foi preparado num instante e posso dizer que estava óptimo. Considero que não é muito fácil disfarçar o sabor um pouco adocicado deste peixe, mas deste modo poderia comer salmão todos os dias. Só não o faço porque cá em casa há quem se preocupe muito com os metais pesados que podem estar presentes neste tipo de peixes, e, não goste de o comer com muita frequência.

A crosta foi feita com um molho de manjericão, metade de um pão, 3 alhos e cerca de 10 azeitonas pretas, tudo isto temperado com um pouco de sal e colocado na máquina trituradora. Depois foi só dispor uma crosta razoável deste preparado sobre cada um dos filetes de salmão, intervalar com espargos verdes, regar com azeite e levar ao forno os habituais 20 minutos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Paixão por chá


Creio que neste blogue não tem ficado muito patente a minha paixão pelo chá, mas aqueles que me conhecem sabem como aprecio este tipo de infusões. Estou muito longe de ser uma especialista na matéria, até porque sou um pouco selectiva em termos de gosto, mas gosto de um bom chá, preparado de forma adequada, isto é com água pouco mineralizada, na temperatura certa e respeitando os tempos de infusão correctos.

Hoje fiquei bastante entusiasmada quando recebi a revista do Palais des Thés e descobri que François-Xavier Delmas tinha um blogue sobre chás. Existe também o blogue equivalente em inglês. Resolvi por isso adicioná-lo à lista e criar uma nova etiqueta para este tema.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Bochecha de novilho estufada com nabos

Quando esta semana comecei a folhear o livro do José Avillez, dedicado às carnes, da série que está a ser publicada pelo Expresso, chamou-me logo a atenção uma receita de de "Bochecha de novilho estufada com legumes". É que há poucos dias atrás tinha feito exactamente um estufado com bochechas de vitela. Acho este tipo de carne agradável por não ter muita gordura, mas para ficar com um gosto mais apurado necessita de cozer lentamente. A minha receita é no geral bastante distinta da outra, até por que tenho de confessar que foi preparada com base nos legumes que tinha no frigorífico e feita um pouco à pressa, excepto no tempo de cozedura.

Comecei por escolher um tacho de fundo espesso, que me permitisse uma cozedura lenta. O ideal teria sido mesmo utilizar o tacho de ferro. Depois coloquei dentro do referido tacho, para além da 6 bochechas, 3 cebolas roxas cortadas grosseiramente, 5 nabos aos cubos grandes, 4 cenouras também em troços grandes, 2 tomates médio sem pele e cortados aos bocados, 1 folha de louro, 2 cravinhos, 6 bagas de zimbro, 2 talos de alecrim, sal e vinho tinto. Confesso que me esqueci de colocar o azeite e depois acabei por não o fazer. Deixei cozinhar muito lentamente, durante cerca de 2 horas, adicionando regularmente vinho tinto, para não se queimar. Ao todo deverá ter levado 1 litro de vinho. Para o meu paladar estava bastante agradável e posso dizer que não senti muito a falta do azeite. Os nabos ficaram com um excelente sabor.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Coelho no forno com limão


A semana que passou foi marcada por uma série de problemas na cozinha, que incluiu tubos rotos e electrodomésticos que chegaram ao fim do seu tempo de vida. Assim, foi necessário improvisar refeições que não dessem muito trabalho. Aliás, como ao sábado de manhã gosto sempre de dar uma espreitadela para o "Dînner presque parfait" que dá no M6, necessito de ter as coisas organizadas para conseguir ir às compras antes do programa e ter já o almoço meio preparado para poder desfrutar dele com uma boa caneca de chá verde na mão. Depois é uma correria, em cada intervalo, para fazer mais alguma coisa na cozinha.

Foi assim que na última sexta-feira coloquei este coelho de infusão, já no tabuleiro de ir ao forno para depois não perder tempo. Desta infusão fizeram parte: 2,5 dl de vinho branco, algumas hastes de alecrim, sumo de 1/2 limão mais a outra metade cortada às rodelas, 4 alhos fatiados, 4 talos de alho fresco também cortados em troços pequenos, 2 folhas de louro, sal e azeite. No sábado foi só colocar o tabuleiro no forno durante cerca de 30 minutos e o almoço estava pronto a horas decentes.

Para acompanhar cozi cherovias e topinambos em leite magro, aromatizado com uma pitada de caril e temperado com sal. Depois de cozidos os legumes coloquei numa assadeira e por cima deitei montinhos de ricota e de cebolinho picado. Infelizmente a fotografia não saiu bem, porque ainda ando a fazer experiências com a nova máquina, mas para compensar deixo aqui algumas fotografias das cherovias e dos topinambos antes de cozidos, acompanhados de uma linda potimarrom cujo destino culinário ainda está em estudo.

Sardinhas no forno

Como portugueses estamos de tal modo habituados ao sabor e ao cheiro das sardinhas assadas, que temos muito dificuldade em aceitar que possam existir outras técnicas de preparação para estes pequenos peixes. Por outro lado, a maior parte de nós, que vive em apartamentos, evita fazer as ditas sardinhas assadas pelas consequências que todas bem conhecemos. Por tudo isto, quando resolvo fazer um receita deste tipo (sardinhas no forno) nunca aviso com antecedência, procurando fugir deste modo aos habituais comentários desmotivadores ou a sugestão sempre prontas de ir a um restaurante comer sardinhas assadas. Simplesmente, apresento-as na mesa como um facto consumado!

Neste caso utilizei como grelha, na parte inferior da assadeira, uma camada de funcho às fatias. Depois coloquei as sardinhas que já antes tinham estado com sal durante duas horas. Retirei o excesso de sal e coloquei lado a lado no tabuleiro, com umas viradas para um lado e outras para o outro de modo a encaixarem-se melhor. A seguir, fatiei 6 alhos que coloquei por cima, assim como hastes de alecrim entre as sardinhas. Salpiquei tudo com farinha de milho fina e por último com rodelas também finas de chalotas. Temperei esta camada com flor-de-sal e regando-a com azeite antes de ir para o forno cerca de 20 minutos.