segunda-feira, 14 de junho de 2010

Acelgas com trigo sarraceno no forno


A semana passada ofereceram-me um ramo de acelgas biológicas, daquelas que têm um pezinho de cada cor, envolvido em papel celofane, tal como se fosse um ramo de flores. A cena teve mesmo testemunhas, que se divertiram com a minha reacção um pouco espantada ao não ter percebido logo de início a "lógica" da situação. Claro que depois desta romântica oferta fiquei com a obrigação de dar um bom tratamento às referidas acelgas.

Assim, tendo presente o objectivo de conseguir fazer uma alimentação saudável mas ao mesmo tempo gostosa resolvi começar por cozer o trigo sarraceno, seguindo as instruções que vêm no pacote. À parte, lavei as acelgas, cortei-as aos bocados, incluindo os pés, e cozi-as em água, mas não as deixando excessivamente moles. Escorri-as depois num passador. Preparei um refogado com um pouco de azeite e bastante alho picado onde passei as acelgas durante uns minutos para ganharem sabor. Por último, misturei as acelgas ao trigo sarraceno já cozido e escorrido, adicionei um pacotinho de queijo parmesão ralado (40 g) e umas azeitonas pretas partidas aos bocadinhos. Coloquei num tabuleiro de ir ao forno e polvilhei com pinhões. Foi depois ao forno durante cerca de 15 minutos para ganhar um pouco mais de sabor.

Às vezes poderá parecer que me esqueço de referir o sal, mas não é bem assim. Reduzo bastante a quantidade, porque considero que devemos educar o nosso paladar. Ao princípio tinha muitos protestos, mas agora já se estão a habituar. Neste caso penso que basta o queijo parmesão para temperar de sal o prato.

domingo, 13 de junho de 2010

Puré de courgettes e abóbora menina gratinado

Como referi na entrada relativa às courgettes recheadas com atum foi necessário escavar para lhes tirar a polpa. Como a quantidade que retirei das quatro courgettes ainda foi grande resolvi juntar mais um pouco de abóbora menina aos cubos e colocar a cozer de modo a fazer um puré. Assim, depois de cozidas escorri a água e transformei o conteúdo em puré, juntando-lhe depois 1 colher de sopa de fécula de batata e 1 pacote de queijo parmesão ralado (40 g ). Como podem ver pela imagem não retirei as sementes, porque estas eram muito tenras o que as tornou agradáveis. Foram ao forno durante cerca de 20 minutos até começarem a gratinar. Estas doses individuais serviram de acompanhamento às courgettes recheadas com atum.

sábado, 12 de junho de 2010

Dia de compras no mercado biológico

Nesta altura do ano é um prazer ir ao mercado biológico. Começa a aparecer uma maior variedade frutas, assim como os vegetais da época. Hoje consegui comprar estas belas patissons que aparecem na fotografia, assim como duas courgettes de uma variedade alaranjada que ainda não experimentei. Para além, disso, os alperces também estavam excelentes.



sexta-feira, 11 de junho de 2010

Courgettes no forno com recheio de atum

As duas imagens que acompanham esta entrada têm em comum o facto de cada uma delas envolver um mistério. No primeiro caso trata-se de uma planta que nasceu num vaso que tenho no terraço. Presumo pelo formato das folhas que deverá pertencer à família das abóboras, mas de que espécie? Não faço a menor ideia. Adoraria que fosse uma potimarrom, mas o mais provável é que ela não cresça o suficiente para chegar a dar algum fruto.

Quanto à imagem inferior corresponde ao último episódio de uma novela que começou com uma posta de atum fresco, que eu pretendia grelhar ou assar, enfim, não sabia muito bem o quê ... , mas a ideia era cortar aos cubos e envolvê-los em sementes de sésamo. Na altura, estava cheia de pressa e não consegui encontrar nenhuma receita, então fui seguindo o meu instinto, que ultimamente me está a levar por caminhos desastrosos. Cortei os ditos cubos, passei-os por óleo de sésamo torrado e depois por sementes de sésamo pretas. Coloquei numa frigideira e fui virando até achar que estavam minimamente cozidos. Depois de provar, como achei que não tinha ficado muito bem, coloquei tudo no forno durante uns 10 minutos. O meu marido até gostou, mas eu não fiquei convencida. No dia seguinte, resolvi fazer um refogado com azeite e cebola, juntando-lhe depois os bocados de atum que tinham sobrado. Com uma colher de pau desfiz o mais possível. A seguir, para dar mais sabor, deitei 1 colher de chá de caril. Como tinha em casa quatro courgettes redondas resolvi escavá-las e rechear o interior com a mistura anterior. Coloquei num tabuleiro e reguei com um fio de azeite. Foram depois ao forno cerca de 20 a 30 minutos, tempo necessário para cozer as courgettes. Até que finalmente achei que tinha um prato comestível!


Com a polpa que retirei das courgettes fiz uma acompanhamento que apresentarei na próxima entrada. Este tipo de courgettes são excelentes para rechear, tanto com peixe como com carne. O mais difícil é encontrá-las no mercado.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Bolo enrolado com canela

Começo por avisar as minhas leitoras que adoro este tipo de bolos, com excesso de canela, por isso serei suspeita nos meus julgamentos. Mesmo que a massa não fique muito fofa sou capaz de os comer com igual voracidade. Este já foi feito há alguns dias, porém tem estado em lista de espera para entrar no mundo digital. Como hoje tenho estado em maré de grandes insucessos na minha cozinha, resolvi que era o momento ideal.

O meu maior problema ultimamente é que tenho preguiça de seguir receitas. Ou talvez seja apenas um ataque de rebeldia passageiro. Esperemos que passe! Porque à custa disso, às vezes, não consigo os melhores resultados. Foi o que aconteceu com a massa deste bolo em que utilizei:

- 500 g de farinha
- 1 saco de fermento para pão
- 3 dl de leite morno
- 2 colheres de sopa de açúcar amarelo
- 2 gemas batidas

Com estes ingredientes preparei uma massa que deixei levedar, dentro de uma tigela e tapada com um pano. Depois de ter dobrado o volume estendi-a numa superfície polvilhada de farinha, dando a forma de um rectângulo. Salpiquei com uma quantidade abundante de canela e de açúcar mascavado e depois enrolei. A seguir, cortei o rolo à rodelas com cerca de 1.5/2 cm de espessura que fui colocando numa forma, de modo a preenche-la a partir do centro. Embora a forma não tivesse ficado logo totalmente preenchida, como deixei a levedar de novo o que aconteceu é que antes de ir para o forno já tinha a circunferência completa. Esteve no forno cerca de 20 a 30 minutos.

Eu adorei o bolo, como já referi sou suspeita, por isso vos deixo uma outra receita de massa que já utilizei num bolo semelhante, a qual fica com uma consistência mais leve:

- 400 g de farinha
- 30 g de fermento de padeiro
- 40 g de açúcar (icing-sugar)
- 250 ml de leite (aproximadamente)
- 1 pitada de sal
- 60 g de manteiga derretida (já fria)
- 2 gemas

Peneirar a farinha, fazendo um buraco ao meio onde coloca a levedura esfarelada, o açúcar e 2 colheres de sopa do leite morno. Misturar com um pouco da farinha estes ingredientes. Cobrir a tigela e deixar levedar. Depois colocar o sal, adicionar pouco a pouco a manteiga, as gemas e o resto do leite. Amassar bem, cobrir com um pano e deixar levedar. A partir dessa altura estará pronta para ser utilizada.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Docinhos de gemas e de chila


Esta receita é recuperada do meu outro blogue - A minha cozinha, apenas as fotografias é que são diferentes. A Casey do blogue Eating, gardening and living in Bulgary está a promover um evento, relacionado com a data nacional portuguesa, que amanhã se comemora. Achei a iniciativa tão simpática que lhe perguntei se podia participar, uma vez que sendo portuguesa não fico em pé de igualdade com outras bloggers que não o são. A sua resposta foi muito entusiasta, por isso não tive coragem de lhe dizer que até ao final do dia de hoje teria dificuldade (por falta de tempo ...) em preparar uma receita tipicamente portuguesa. Assim, resolvi recuperar uns docinhos que a minha mãe inventou, mas que têm tudo a ver com a nossa tradição de doces conventuais: muito açúcar e muitos ovos, associados a grandes doses de paciência.

Estes docinhos tiveram por base uma receita de ovos moles a que depois se adicionou, ainda ao lume, um pouco de doce de chila e canela. Quando se obteve a consistência necessária para tender pequeninos doces retirou-se o creme/pasta do lume e deixou-se arrefecer. Posteriormente, com a ajuda de um pouco de farinha fizeram-se umas bolas que foram fritas em azeite, não muito quente. Os doces foram depois colocados em quadrados de papel vegetal ligeiramente amarrotados e passados por açúcar e canela.

Para fazer os ovos moles são necessárias:

- 12 gemas de ovos
- 12 colheres de sopa de açúcar
- 2 dl de água

Coloca-se o açúcar ao lume com a água. Mexe-se de vez em quando, até o açúcar começar a aderir à colher de pau. A seguir deitam-se as gemas em fio, mexendo sempre. As gemas devem ser antes ligeiramente batidas. O processo de junção das gemas ao açúcar em ponto deve decorrer com o recipiente fora do lume, só depois é que regressam ao fogo até levantarem fervura, mas sem se deixar de mexer o creme.

Nota: os azulejos da imagem superior encontram-se na Igreja de São Vicente de Fora em Lisboa.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Espetadinhas de frango

Esta semana, quando no sábado fui ao mercado biológico da minha zona, tinha à minha frente para ser atendida uma senhora que comia tudo cru. Explicava perante o ar perplexo de alguns clientes que se os alimentos eram comestíveis assim, porquê perder tempo a confeccioná-los. Confesso que esta forma de encarar os alimentos, embora saiba da existência desta corrente, parece-me redutora. Aliás, cozinhar os alimentos não é um mero capricho. Este processo surgiu na história humana como uma conquista que permitiu uma maior longevidade, uma vez que desta forma alguns produtos se tornam de mais fácil digestão, permite uma melhor conservação e principalmente são destruídos uma série de micoorganismos. Porém, o que me deixou mais incomodada foi o tipo de relação com os alimentos, que era muito limitada e nem sequer revelava prazer.

Comer bem não deve significar de forma alguma falta de prazer no acto de nos alimentarmos. Acredito que é possível fazer dieta, comendo boas refeições e esta receita é um bom exemplo disso, a meu ver.

Utilizei 3 peitos de frango cortados aos cubos que temperei com óleo de sésamo torrado, molho de soja (japonês) e raspa e sumo de 1/2 limão. Deixei umas horas nesta marinada para o frango tomar gosto. Depois enviei em a carne pequenos espetos, que estiveram de molho em água durante meia hora para resistirem melhor ao forno, intervalando-a com 1/2 cogumelo. Isto é, ficou um cubo de carne + 1/2 cogumelo + um cubo de carne.

À parte, cozi raminhos de couve-flor em água a que juntei 1 colher de sopa de açafrão-das-Índias e um pouco de sal. Deixei a couve ficasse ainda rija, porque a seguir coloquei-a dos dois lados de um prato de ir ao forno, dispondo no centro as espetadinhas de frango. Reguei a couve-flor com um fio de azeite e salpiquei com sementes de sésamo. Foi ao forno até a carne ficar assada (cerca de 15 a 20 minutos).

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Queques de laranja

Estes queques foram feitos na semana passada, já depois dos "queques descabelados". As pintas laranja são as mesmas, porém estes são uns queques muito mais tradicionais.

Como ingredientes utilizei:

- 3 chávenas de chá de farinha com fermento
- 1 chávena de chá de açúcar mascavado
- 2 ovos
- 1 iogurte magro
- 1 chávena de chá de sumo de laranja
- 1 colher de chá de raspa de laranja
- 1 colher de chá de extracto de baunilha

Comecei por juntar primeiro os produtos secos, adicionando a seguir os húmidos. Deitei em formas de queque que levei ao forno durante 15 minutos (200ºC). Depois de frios cobri-os com chocolate preto e coloquei-lhes por cima uma pinta de chocolate branco aromatizado com laranja.

domingo, 6 de junho de 2010

Suspiros


Suspiros inflamados, que cantais
A tristeza com que eu vivi tão ledo;
Eu morro e não vos levo, porque hei medo
Que ao passar do Lete vos percais.

Sonetos de Luís de Camões

Vejo os portugueses como um povo que adora suspirar, tanto de tristeza como de felicidade. Nada é muito intenso e tudo se resolve com uma inspiração profunda, seguida de uma expiração igualmente profunda. Afinal as técnicas do canal Myzen já há muito são utilizadas pelos portugueses. As nossas angústias vão desaparecendo ao ritmo de suspiros. Por isso, nada melhor que comer, no sentido literal do termo, uns "suspiros" para deste modo acelerarmos o processo e fazer desaparecer o stress (pelo menos até olharmos de novo para o marcador da balança).

Pessoalmente adoro suspiros, pequenos, grandes, recheados, arrepiados, pavlovas, etc., mas por razões de sensatez raramente os faço ou como. Mas ontem lembrei-me de fazer uma surpresa ao meu pai e aproveitando umas claras que tinha no congelador resolvi dedicar algum tempo à sua preparação. Recordo da minha mãe usar 1 colher sopa de icing-sugar para cada clara de ovo. Porém resolvi seguir as proporções indicadas pelo LIVRO DAS TÉCNICAS CULINÁRIAS (LE CORDON BLEU), que afinal acabam por ir dar quase ao mesmo. Neste livro aconselham 115 g de açúcar para cada 2 claras.

É importante que os utensílios estejam bem limpos e desengordurados e que as claras estejam à temperatura ambiente. Deve começar-se por bater as referidas claras, no meu caso foram 7, até formarem picos firmes. Depois juntar colher a colher o açúcar, batendo entre cada adição. De acordo com o livro de referência este merengue deve ser assado a 100º C durante 1 hora. Como sou um pouco apressada assei a 150ºC durante 40 minutos. Embora tenham ficado bastante bons, penso que ainda ficariam melhores com uma temperatura mais baixa. Também ponderei se iria utilizar a receita da Pavlova que é um pouco diferente (3 claras, 175 g de açúcar, 1 colher de chá de vinagre de framboesa e 1 colher de chá de mayzena), mas acabei por me decidir pelo merengue francês.

sábado, 5 de junho de 2010

Gelatina de amoras



Na continuação da anterior entrada e do poema de Eugénio de Andrade em que fala das amoras silvestres, pensei que seria altura de colocar neste espaço uma gelatina de amoras, pese embora estes não serem bravas. Comprei-as no mercado biológica e posso dizer que ao contrário do habitual, neste tipo de amoras, eram bastante doces.

Para fazer esta gelatina misturei uma caixa de quark magro (500 g) com 1 caixa de amoras, tentando esmagar algumas delas com uma colher de pau, para obter não só uma cor mais bonita, mas principalmente com o objectivo de enriquecer o sabor do quark. Depois, em 2,5 dl de água, coloquei duas colheres de sobremesa de agar-agar, deixando primeiro de molho 10 minutos e levando a seguir a ferver durante 5 minutos, juntamente com uma vagem de baunilha que antes tinha aberto no sentido longitudinal e retirado o interior, o qual deitei deitei no liquido. Por fim, juntei tudo e coloquei em taças de vidro.