sexta-feira, 9 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 8



Em primeiro lugar, tenho de pedir desculpa pelo atraso com que dou notícias, provavelmente pensarão que já estou em Portugal. Acontece que enquanto estive em Almadén não tive acesso à internet e só hoje, já na serra de Aracena, é que consigo recuperar parte do atraso.

A partida de Madrid, na quarta-feira, ocorreu de manhã, muito cedo, com destino a Almadén. Pelo caminho e já em Castilla-la-Mancha fizemos uma paragem "técnica" numa pequena povoação onde tudo parecia girar em torno da figura de Dom Quixote e de Sancho Pança. Aliás, durante a viagem foi possível visualizar diversos moinhos reconstruídos, outros mais recentes, alguns com figuras dos referidos personagens em ferro forjado, colocadas ao lado.

As temperaturas têm estado muito altas, por isso à indumentária já habitual acrescentou-se um leque e uma garrafa de água. O desespero já era grande quando chegámos a Almadén. Nessa altura, deparámo-nos com um almoço servido na praça de touros desta cidade, que é uma das mais antigas de Espanha, com um formato hexagonal que parece ser único. Começámos por um flan de atum, seguido de uma carne assada e de um doce que já não registo na minha memória. Por fim, tive ainda a surpresa que ficar hospedada num hotel que também fica na praça de touros. Foi uma experiência única, embora eu não seja aficionada a actividades taurinas.


Claro que para completar este cenário tão espanhol só falta recordar que esta foi a noite do jogo de futebol entre Espanha e Alemanha, cujo resultado deu origem a grandes festejos, com foguetório e buzinas pela noite dentro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 7


Hoje foi a despedida de Madrid uma vez que amanhã voltamos a rumar a sul, desta vez em direcção a Almadén. Ficámos na dúvida se deveríamos experimentar um restaurante mexicano cujo nome nos parece prometedor - La Panza es Primero, ou manter fidelidade à “sidreria” que temos vindo a frequentar ao jantar. Optámos pela última hipótese. Desta vez começámos por comer uns cogumelos grelhados, um pincho de Cabrales e a carne grelhada de que ontem tanto gostámos.


De acordo com as boas tradições do “tapeo” esta actividade deve incluir vários locais. Hoje finalmente aderimos a este princípio e passámos ainda por outro local onde comemos umas vieiras. Lamento, mas só depois de as comer é que me lembrei de as fotografar para a reportagem que deste forma vai ficar ficar incompleta.

Acabo de escutar na televisão espanhola notícias sobre a onda se calor que está a atingir o país e que só sexta-feira vai abrandar. Felizmente o ar condicionado ajuda a suportar a situação, mas amanhã irei precaver-me. Já coloquei na mochila o leque e o chapéu, só falta a garrafa de água. A organização tem cuidado bastante do grupo, fornecendo-os garrafas de água gelada a toda a hora. Tentam deste modo evitar situações de insolação, uma vez que em Linares andámos no campo com 42ºC. Depois de colocar esta entrada no blogue vamos aproveitar para beber uma água fresca numa “terraza”.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 6


O tema de hoje poderia ser a alimentação nas cantinas. Começo por referir que estes são locais que quase sempre evitei frequentar, apesar de no meu tempo de estudante ter frequentado uma cantina onde às vezes serviam lagostinhas com maionese. Luxos tropicais! Apesar desta experiência rara não gosto de cantinas principalmente por causa do ruído e porque me sinto numa espécie de linha de montagem de uma fábrica. Neste caso o produto final é um estômago cheio e um cérebro satisfeito, ou não! Porém, como é evidente já tenho comido muitas vezes em cantinas e hoje foi um desses dias. Um almoço vegetariano, composto por gaspacho, acelgas com batatas e terminando com melancia, que me deixou com um saldo para fazer algumas asneiras ao jantar.

A visita ao museu da Escuela de Minas da Madrid foi pretesto para o uso intensivo dos leques que nos ofereceram à chegada. Até a descida a uma mina, construída apenas com objectivos didácticos, foi apreciada pelos mais retinentes a este tipo de “aventuras” pela frescura que era possível desfrutar a poucos metros de profundidade. Claro que numa mina a sério as condições de trabalho são muito duras.


Ao jantar mantivemos a opção pela “sidreria” habitual, primeiro porque tem uma boa qualidade, fica perto do local onde estamos instalados e por último, com o calor que faz em Madrid não há energia para procurar outros espaços para “tapear”. Desta vez escolhemos uma salada de tomate, com presunto ibérico e azeitonas e uma carne grelhada que estava excepcional. Há anos que não conseguíamos comer carne de tão boa qualidade e tão bem grelhada. Aliás, começamos a receber um tratamento vip nesta “sidreria” e já nos explicam a constituição dos pratos que os outros clientes estão a comer. Se estivéssemos mais uns dias em Madrid penso que teríamos direito a uma visita guiada à cozinha … Para quem estiver interessado trata-se da Sidreria Balmori (C/ Bravo Murillo, 86). Apesar desta publicidade ainda não fomos convidados para sócios ...


domingo, 4 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 5


O que fazer, em Madrid, quando nos é permitido ter um dia de descanso depois de algumas actividades já realizadas, mas antes de iniciar a parte principal do trabalho? Eu diria que o melhor é deixarmo-nos levar pelo ritmo da cidade, que acorda ainda em estado de entorpecimento de uma noite de festa. Não ter horários a cumprir e se possível desligar das preocupações. Tudo se resume afinal em tirar partido de pequenos prazeres.

Por ter vivido já alguns anos nesta cidade não são os lugares mais turísticos que mais me atraem. Para além das livrarias a tendência é para revisitar locais que me eram familiares, como a zona do Azca, onde existe um pequeno centro comercial, muito pequeno, com óptimas lojas e poucas pessoas. Nos dias de calor é agradável pela cascata de água central e pelo sossego. Tem várias esplanadas interiores onde foi possível intervalar a realização de pequenas compras, com a leitura do El Pais, matando ao mesmo tempo a sede com horchata.

Se no Inverno adoro beber um chocolate quente, no Verão tenho a mesma paixão por uma orchata bem gelada. Às vezes, compro horchata em Portugal, em garrafas, mas não é igual à que podemos beber em Madrid. Aliás, este é uma bebida cuja confecção tem a sua época própria, uma vez que neste caso estamos a falar de uma horchata feita a partir de um determinado fungo. Em livros portugueses de culinária, antigos, é possível encontrar referências a este tipo de bebidas, feitas nomeadamente a partir de amêndoas. Talvez pelo facto do processo de fabrico ser um pouco trabalhoso acabaram por cair em desuso no nosso país.

Durante estes dias também nos tem sido proporcionado comer ao pequeno almoço pão regado com um fio de azeite e depois barrado com tomate triturado sem pele. Aliás, nos últimos estive na região de Jáen onde os olivais ocupam grandes extensões de terreno, estando mesmo a nascer uma indústria de turismo ligada ao azeite. Houve contudo um aspecto que me deixou um pouco preocupada como consumidora. Durante a nossa visita à zona mineira de Linares, onde antes se extraía chumbo, chamaram-nos a atenção para a existência de olivais muito perto de antigos filões e mesmo de minas abandonadas. Aliás, uma das minas que visitámos é agora utilizada para a produção de azeite. Claro que acredito existir um controle de qualidade certificado, por isso utilizarei totalmente descansada o azeite extra-virgem, com denominação de origem “Sierra Mágina” que me ofereceram em Linares.

E para terminar o dia só falta referir o excelente jantar de tapas na Sidreria Balmori à qual já anteriormente fiz referência. Desta vez, optámos por “huevos rotos com morcilla” e por uns “pinchos” de lombinho de porco com cebola confitada (excelentes), de queijo Cabrales e ainda de outras variedades. Claro que tudo isto acompanhado com “sidra”.


sábado, 3 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 4




No momento em que este escrevo esta entrada já os espanhóis iniciaram os festejos da sua passagem às semi-finais do campeonato do mundo de futebol. Aliás, o meu jantar foi bastante animado graças a este evento. Quando entrámos na “sidreria” asturiana, em Madrid, onde já temos ido “tapear” diversas vezes o ambiente ainda estava relativamente calmo, mas de forma gradual começou a aquecer até um ponto em que achámos mais seguro terminar o jantar e ir dar um passeio a pé uma vez que a nossa falta de entusiasmo pelo jogo se tornava evidente.

Habitualmente pedimos uma tábua de pinchos quentes e uma “ración” de “huevos rotos”, optando desta vez por uma variante que incluía pimentos de Pádron. Esta é uma daquelas receitas extremamente fáceis, mas que necessitam de muita prática. Em Madrid, há um célebre restaurante, a Casa Lúcio, que tem por especialidade estes “huevos rotos”, que não são mais do que umas batatas fritas aos palitos grossos em cima das quais se deitam ovos estrelados, ainda não totalmente fritos, mas que teoricamente acabam por cozer com o calor das batatas. Depois, segundo uma receita que encontrei ainda terminam com um chorro de azeite quente em que foi frito alho. Quando bem feito é um prato delicioso, mas a sua preparação não é tão fácil como parece. Pois tudo deve ter os tempos exactos e a qualidade dos produtos também não é indiferente para o resultado final. Infelizmente esqueci-me da máquinaa fotográfica, por isso não posso acompanhar esta descrição com a necessária reportagem. Mas espero ter nova oportunidade de voltar à referida “sidraria” nos próximos dias.

Mas deixo aqui testemunho de uma manhã passada a visitar Alhambra e a Generalife, em Granada.


sexta-feira, 2 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 3


As expectativas de que hoje tivesse um dia mais interessante, gastronomicamente falando, sairam completamente goradas até este momento. Considero que tenho bastante abertura e tolerância no que se refere a outras dietas alimentares ou mesmo a outros horários. O que acontece é que em qualquer país existe boa e má comida. Quando nos encontramos inseridos em grupos e existe uma organização que providencia estes aspectos temos de nos sujeitar ao que aparece. Não tenho dúvidas que tudo foi feito pensando no bem estar de todos nós, mas nem sempre as coisas acontecem como desejamos e são os própros organizadores dos eventos a sofrerem mais nestas ocasiões.

Hoje passei o dia na região de Almería, mais precisamente na vizinhança do Cabo de Gata. Imaginei que iriamos comer um "pescadito" frito num pequeno restaurante típico a beira-mar, mas nada disto aconteceu. Em contrapartida, para além de andar pelos campos observado formações vulcâncicas, também estive no local onde foram filmadas algumas das cenas do Lawrence da Arábia.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Diário de viagem - dia 2


Hoje, em termos gastronómicos, o dia não foi brilhante. Aliás, o jantar de ontem também não o foi, embora as tapas na fotografia até apareçam com bom aspecto. Salvou-se a cidra bem gelada, que ajudou a suavizar o calor que faz sentir em Espanha por estes dias.

O dia saldou-se pela visita à zona mineira de Linares, onde também almoçámos. Tinham-nos dito que poderia escolher o primeiro e o segundo prato de uma lista de quatro, mas na verdade a única opção, segundo um colega, era apenas entre comer o que nos colocavam à frente ou não comer. Claro que optámos pela primeira. Deixo aqui apenas um pequeno apontamento sobre uns espargos, com favas e alhos porros pequenos, que estavam bastante agradáveis.

O dia terminou em Granada, com uma espetáculo de flamengo e um passeio pelo centro histórico. Amanhã espera-me nova madrugada e um dia de calor.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

Diário de viagem - dia 1

Vou tentar fazer uma espécie de diário de viagem, numa vertente essencialmente gastronómica, embora o que me tenha trazido até Espanha não tenha nada que ver com esta área. Ontem enquanto se desenrolava o jogo de futebol estava a preparar-me para apanhar o Lusitânia com destino a Madrid. Esta viagem é uma espécie de Expresso do Oriente à escala ibérica. Ficamos com a sensação de ganhar tempo, quando depois de uma noite mais ou menos bem dormida, chegamos de manhã cedo ao nosso destino. O comboio balança um pouco e anda devagar, mas esse é o seu grande charme.

Às 7.30 (6.30 em Portugal) acordando-nos para tomarmos o pequeno almoço, que é um dos momentos mais agradáveis do trajecto. Enquanto os campos e as vilas vão sendo ultrapassadas, tomamos com toda a calma uma refeição ligeira, mas bem servida. Hoje estávamos preparados para ter de enfrentar grandes engarrafamentos, devido à greve do Metro, mas tudo acabou por correr bem.

Claro que depois foi necessário aguardar até às 13.00 para ir almoçar. Seguindo os hábitos locais comemos um primeiro e um segundo prato e para terminar uma sobremesa. Um exagero de comida e alguns excessos, mas que bem mereço! Começámos por dividir um revuelto de morcilla e uns espargos, para depois passarmos para um leitão frito e um bacalhau frito mas embrulhado em polme (rebozado). Terminámos depois com um bolo de chocolate acompanhado de doce de morango e com um pudim.

Para ajudar a digestão aproveitámos para ir até à Plaza Mayor, visitando no caminho uma lojas de gulodices, que para além de ter óptimos produtos tem umas lindas embalagens. Embora, a maior parte dos produtos sejam, segundo julgo de origem francesa, tornou-se num local de paragem para os turistas. No meu caso, aproveitei para comprar uns biscoitos para o lanche.



terça-feira, 29 de junho de 2010

Obrigada


Obrigada à Carla do blogue De cozinha em cozinha passando pela minha pelo "PRÉMIO DARDOS" que é uma corrente de amizade virtual e destina-se a reconhecer o valor dos blogueiros que se dedicam a transmitir valores culturais, humanos, literários, etc. Recebido o prémio há que cumprir determinadas regras:

1º - Exibir a imagem do selo no Blog;
2º - Exibir o link do blog através do qual recebeu o prémio;
3º - Escolher 10, 15 ou 30 blogues para atribuir o prémio.

Neste momento, por falta de tempo, devido a viajar ainda hoje, não consigo cumprir a tarefa 3, mas logo que regresse actualizarei esta entrada.

Dourada assada com as cores portuguesas

Nos próximos dias, por motivos ainda de trabalho, vou estar ausente da minha cozinha. Tentarei ir dando notícias, mas poderei ser mais irregular nas minhas entradas neste blogue.

Hoje, atentendo ao dia, a exigir algum patriotismo, mesmo para quem como eu gosta muito de nuestros hermanos, deixo aqui ficar um peixe assado, devidamente equipado com as cores portuguesas.

Comecei por colocar num pirex um conjunto de talos de aipo, para deste modo fazer uma espécie de grelha. Depois temperei de sal o peixe, coloquei sobre o aipo. Como necessitava de acabar com alguns ingredientes, juntei-lhe uma quantidade abundante de tomate, pimento verde e cebola. Reguei com azeite e vinho branco, polvilhei com orégãos, e foi ao forno durante cerca de 40 minutos.