terça-feira, 15 de março de 2011

Um frango assado que sonhou ser promovido a leitão

O meu modelo do que deve ser um bom frango assado não provem de uma qualquer ave, mas sim de um mamífero. Mais precisamente de um porquinho no forno, com temperos que façam recordar não a Bairrada, como seria de esperar, mas sim Angola. Pois este frango do campo, com uma dimensão razoável, ficou com um paladar aproximado. Como cheguei lá, não sei muito bem! Mas parti da ideia de que iria utilizar todos os temperos em excesso.

Comecei por gastar um frasco de massa de pimentão a barrar a ave, por dentro e por fora. Depois enchi o papo com uma cabeça de alhos, com os dentes separados, 3 talos de citronela, 1 pimento habanero e ramos de alecrim. Atei as pernas com um cordel e salpiquei o frango abundantemente com mistura de temperos marroquina. Por último, espalhei folhas de alecrim e reguei com azeite. Mas o que o aproximou do leitão terá sido, talvez, os 2,5 dl de vinho branco que coloquei no fundo da assadeira de barro preto. Nos cantos das pernas e das asas ainda entalei bocados de um outro pimento habanero, para acentuar o picante. Foi depois ao forno durante 1 hora e 15 minutos, regando de vez em quando para dourar a pele.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Queques de duas essências

Acho graça ao termo "queques", pelos vários sentidos que lhe atribuímos. Não sei se farei verdadeiros queques, semelhantes aos que se compram nas pastelarias. Creio que não! Mas também não quero seguir essa via. Mantenho a forma, com conteúdo distinto. Procuro usar produtos saudáveis, farinhas integrais, pouco açúcar e escassa gordura. No final, acabam por ficar uma espécie de pãezinhos integrais com formato de queques. Claro que para lhes animar o visual é necessário inventar um pequeno "chapéu". Desta vez uma cobertura feita a partir das gotas de chocolate da Valor e um pouco de coco ralado. Tenho saudades de fazer algum doce em que use o saco pasteleiro, mas não sei o que será ... ando a pensar. Talvez um dia destes faça uns queques vaidosos. Para já aqui fica a receita dos queques de duas essências.

- 2 chávenas de chá de farinha
- 1/2 chávena de chá de farinha de arroz integral
- 2 ovos
- 1 iogurte magro
- 2/3 de chávena de leite magro
- 4 colheres de sopa de geleia de agave
- 1 colher de sobremesa de essência de amêndoa (ou licor de amêndoa amarga)
- 1 colher de sopa de essência de baunilha
- 1 colher de chá de fermento

Começar por misturar os elementos secos para depois adicionar os húmidos, deixando o fermento para o final. Coloquei em formas que foram ao forno cerca de 15 minutos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Salmão no forno com endro

O endro não é das minhas ervas aromáticas preferidas, porém é sempre bom diversificar os sabores. O que utilizei era proveniente da Herdade do Freixo do Meio, que espero poder voltar a visitar em breve. Nessa altura, procurarei fazer uma reportagem completa sobre o local.

Quanto ao lombos de salmão começaram por ser temperados com flor-de-sal e pimenta preta moída na altura, para depois serem intercalados com cenouras provenientes da mesma herdade, previamente cozidas a vapor. Pelo meio fui plantando uns troncos de endro. Depois reguei com azeite e salpiquei de vinagre balsâmico. A seguir foi ao forno cerca de 10 minutos, tempo necessário para o salmão ficar cozido sem secar.

Desta vez não vou fazer a vontade à Babette, que gosta sempre do conhecer o antes e o depois, porque já me custou muito escolher estas duas fotografias, entre as várias que tirei. Claro que também fotografei o salmão assado, mas as cores são distintas. O verde deixou de ser verde e os amarelos intensificaram-se. Assim, ficará à imaginação de cada um(a) recriar a paleta de cores do pós (assado).

terça-feira, 8 de março de 2011

Sopa de bróculos com topinambos e folhas de beterraba

Nos últimos tempos tenho utilizado bastante a rama de beterraba, assim como o próprio tubérculo, em sopas. Algumas ficado bastante bem. Dependendo da quantidade, a coloração pode ser mais ou menos avermelhada. Neste caso, nem se notava muito a presençe beterraba.

Para esta sopa utilizei um ramo grande de bróculos, cerca de 0,5 kg de topinambos, rama de beterraba (bio) e 1 caldo vegetal. Os ingredientes cozeram durante 30 minutos. A seguir adicionei 3 colheres de sopa de creme de aveia para cozinha e transformei a mistura em puré.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Esferas de lentilhas coral com cominhos e coentros

A tradução do termo "boulettes", da receita original (blogue da Clea), para português não foi fácil. "Bolinhas" parece-me um expressão um pouco ridícula neste contexto, "almôndegas" acho que remete para proteínas de origem animal e suscita algum tipo de rejeição cá em casa. Não as proteínas, mas o termo "almôndegas". Assim, acabei por designá-las por "esferas", embora com todo o rigor geométrico não o sejam. Enfim, uma complicação! Gostei muito desta receita e para além das que aparecem nas fotografias, que foram as primeiras, já houve uma segunda edição, preparadas à pressa para um jantar "muito" informal entre amigos.

Começa-se por cozer 150g de lentilhas coral em dois copos de água, um pouco de sal e 1 colher de café de cominhos moídos. Logo que tenham absorvido a água e estejam cozidas, processo muito rápido, junta-se 50 g de pão esfarelado, queijo parmesão ou outro, sementes de sésamo pretas, 2 chalotas picadas e 2 colheres de sopa de coentros picados. Estes temperos podem variar muito em função do nosso paladar ou do que temos em casa. Como no meu caso ando sempre a reduzir o sal, acrescentei uma colher de sobremesa cheia de picles de manga picantes.

As referidas esferas foram feitas com a massa já fria. Servi-me de pão ralado para lhe dar o formato arredondado. Depois coloquei-as num tabuleiro untado de azeite e fiz rolar as esferas um pouco nesse azeite, ou, se preferirem num prato ao lado. Foram ao forno cerca de 1o a 15 minutos e em seguida foram servidas com iogurte magro misturado com cebolinho picado e com molho picante, para os que as preferem ainda mais temperadas. Achei uma receita excelente para uma entrada ou para completar um jantar, quando apenas se tem uma sopa.


sábado, 5 de março de 2011

Chá de macela e "baixa cozinha"

Há dias, durante as minhas andanças por Santo Amaro de Oeiras, entrei na loja de produtos alentejanos. Apercebi-me que tem cada vez maior variedade produtos, inclusive fruta e hortaliças. Os bolos são todos de excelente qualidade. Estava nestas minhas apreciações quando vejo passar um tabuleiro de pastinacas e umas caixinhas com uns rebentos. Fiquei entusiasmada com a perspectiva de levar para casa este tubérculo, porém fui logo esclarecida pelo dono da loja que se tratavam de produtos para um restaurante que fica muito próximo, cujo nome agora não recordo, mas que tem como lema a "baixa cozinha" em contraposição à "alta cozinha". A ideia estará baseada, segundo me contaram, na utilização de alimentos económicos numa cozinha de autor. Terei de experimentar um dia destes.

Para me acalmar depois da frustração das pastinacas trouxe um pacote de chá de macela. Acho as flores lindas, de uma enorme delicadeza na forma e nos tons de amarelo pálido. Também gosto do sabor, que me faz lembrar Porto Alegre, onde pela primeira vez o bebi. Parece ter inúmeras propriedades terapêuticas. Não sei se na realidade terá, mas nestas coisas a sugestão é muito importante. Por isso, é natural que passe a ser consumidora do referido chá de macela.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Creme de abóbora hokaido (potimarron) com alho francês


Toda a gente diz que é manifesto o meu gosto por abóbora. Realmente talvez seja verdade. Gosto sempre ter uma abóbora em casa e não dispenso as respectivas sementes ao pequeno almoço.

Desta vez utilizei uma abóbora hokaido (potimarron) pequena, com casca, partida aos bocados. Juntei 3 alhos franceses também picados, 1 talo de aipo, 3 dentes de alho grandes e um pouco noz moscada ralada. Adicionei água e sal. Depois foi só deixar ferver 30 minutos e transformar em puré, adicionando antes 3 colheres de sopa de creme de aveia.

Por cima coloquei umas sementes de abóbora. Quanto ao prato, em que assenta a chávena com a sopa, foi pintado pela minha mãe, que na altura pensou fazer um serviço com este padrão. Depois acabou por fazer um outro com girassóis grandes que eu gosto muito. Um dia destes esse serviço terá honras de blogue.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Rolo de peru estufado

Com tantos cortes no ordenado e outros que já se anunciam é natural que algumas rotinas diárias precisem de ser repensadas, entre elas determinados métodos de cozinhar que são mais dispendiosos ou mesmo alguns ingredientes. Esta receita foi a minha segunda tentativa para fazer um rolo de peito de peru estufado num tacho de ferro. Da primeira vez o resultado foi apenas razoável, por isso o que apareceu no blogue foi apenas a transformação do rolo em pastéis. Mas no último fim-de-semana as coisas correram bem.

Comecei por pedir no talho que me abrissem um peito de peru de modo a ficar com uma placa de carne. Em casa ainda completei melhor este processo. Com a peça de carne estendida na bancada da cozinha, comecei por barrá-la com massa de pimentão. Depois coloquei com algum intervalo talos de cenoura e de aipo. Salpiquei com folhinhas de tomilho e enrolei com cuidado. À medida que o fazia barrava a parte de baixo da carne. No final, atei o rolo com cordel de cozinha.

Num tacho de ferro coloquei um pouco de azeite e alguns alhos fatiados. Quando o azeite ficou quente juntei o rolo que fui rodando até formar uma crosta branca. Nessa altura adicionei um pacote pequeno (2,5 dl) de vinho branco, 1 cálice grande de licor maçã verde, 2 cebolas aos quartos, 2 tomates aos quartos, casca de uma tangerina (bio), bocados de aipo e de cenoura, 3 cravinhos, ramos de tomilho e sal q.b. Deixei estufar em lume brando durante cerca de 45 a 60 minutos, virando a peça de carne com uma certa regularidade.

Para acompanhar preparei um arroz de salsa, com pimentos vermelhos e grãos de cominhos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Tabuleiro de beterrabas e tangerinas no forno

A sazonalidade dos alimentos é um aspecto a ter em conta numa dieta equilibrada, por isso tenho usado muito as beterrabas nos últimos tempos. Por sua vez, as tangerinas também começam a estar doces e prontas para algumas experiências. As primeiras, provenientes de formas de agricultura biológica, eram um exemplares pequenos, com folhas tenras, a que tive apenas o cuidade de tirar a pele e cortar em quartos, lavando depois em água abundante para retirar a terra que fica alojada entre as folhas.

Coloquei as mini beterrabas num tabuleiro de ir ao forno, parte virada para um lado e outra parte disposta em sentido inverso. Assim, consegui obter uma espécie de ninho na zona central onde coloquei três tangerinas descascadas e ligeiramente abertas. Reguei com um fio de azeite e com vinagre balsâmico e levei de seguida ao forno. Primeiro 30 minutos com o tabuleiro tapado com papel de alumínio e depois outros 30 minutos sem papel, até as beterrabas estarem tenras.


terça-feira, 1 de março de 2011

Smoothie de beterraba com pepino e kéfir


Há quem comece um novo ano cheia de boas intenções, decidida a iniciar um programa de ginástica e a ter cuidado com a alimentação. Não foi o meu caso. Nem me lembrei de formular qualquer tipo de desejo. Só agora, já no final de fevereiro, é que me deu para estabelecer algumas metas as quais passam também por uma alimentação rica em vitaminas. Como o período mais crítico do dia, para os acessos passionais de fome corresponde à hora do lanche, pensei em preparar um smoothie capaz de enganar o meu cérebro e retirar a sensação de necessidade de comer durante algumas horas.

Assim surgiu esta bebida, com um lindo tom de rosa. A preparação foi fácil. Descasquei um pepino pequeno e uma beterraba crua que transformei em sumo, depois adicionei-lhe um copo de kéfir. E, acreditem que já não me apeteceu comer bolos, nem bolachas, nem qualquer outra iguaria. Eu sei que o sumo de beterraba também deverá ter muitas calorias, mas compenso-me ao pensar que possui outros nutrientes importantes.