terça-feira, 30 de agosto de 2011

As cores de Silves

Sempre que venho ao Algarve gosto de ir a Silves. Existem razões familiares remotas para isso, porém são as tonalidades que o grés de Silves dá a esta cidade que mais me atraem. Sentir a aproximação do burgo através da mudança de litologia e depois chegar a um ponto da estrada em que o castelo se torna visível com o seu tom ferroso.

O almoço, apesar do aspecto, não foi memorável. A cidade ainda estava engalanada em honra da feira medieval que já terminou. A referência a estas feiras recorda-me sempre uma colega especialista nesta época histórica que "sofre" bastante quando vê determinados produtos à venda, como se na Idade Média eles já fossem conhecidos e usados na Europa. De qualquer modo este tipo de actividades tem sido uma boa forma de interessar as pessoas por esta época, incluindo a respectiva música.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os lugares de fronteira - praias de excelência e uma casa de pasto

Os espaços de fronteira são locais privilegiados onde podemos aproveitar o melhor de dois mundos. São uma espécie de intersecção de dois conjuntos capaz de potenciar qualidades que isoladas se dissipariam. As minhas férias, para já sem acidentes, estão a decorrer num desses locais mágicos por serem híbridos. Por isso, consigo conciliar o acesso a algumas das mais bonitas praias do Algarve com as características de uma região típica e popular onde ainda é possível ir a uma casa de pasto, com toalhas de plástico da cor do mar.

No Zé Leiteiro o menu não sofre grandes variações. Por um preço fixo comemos diferentes variedades de peixe grelhado sempre muito fresco, acompanhado com uma salada de tomate e óregãos e mais umas batatas pequenas cozidas. Partilha-se a mesa com outros turistas e somos alvo de olhares esfomeados dos que regressam da praia. Para o final de tarde ficar completo basta fazer uma passagem pelo Pai Pinguim, cujos gelados fazem concorrência a marcas de topo.


(Nota a fronteira a que me refiro situa-se entre Porches e Armação de Pêra)

sábado, 27 de agosto de 2011

Férias: uma partida e um regresso

O ano passado tive uma férias muito atribuladas com vários problemas a obrigarem a um regresso a Lisboa antecipado. Considero que o facto de às vezes ocorrerem uma sequência de problemas das nossas vidas isso é provocado por condições que os propiciam à partida. Não há relação nenhuma com o local em que estamos. Foi por isso que resolvemos regressar ao mesmo hotel onde tivémos as ditas férias cheias de peripécias. E aqui estamos nós com a mesma vista para o mar, sob as mesmas palmeiras, aproveitando um dia de cada vez. No hotel receberam-nos com um sorriso aberto e com votos de boas férias que neste caso sentimos não serem apenas palavras de circunstância.

Nos próximos dias tentarei dar conta do que por aqui se vai comendo. Algumas receitas de aproveitamentos que ainda tinha para colocar ficarão a aguardar pelo fim das férias.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Massa com peru e brócolos

Nesta última semana antes de partir para férias procuro gerir a escolha dos menus de forma a reduzir desperdícios. Foi um pouco assim que surgiu esta massa. O peru sobrou do assado anterior e foi cortado de forma grosseira em tirinhas e envolvido com molho de tomate. Juntei-lhe depois milho e brócolos cozidos em vapor, assim como tomates cereja crus. Tudo isto foi misturado com a massa cozida e foi ao forno depois de salpicado com lascas de queijo manchego.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tagliatelli fresco e um assado de peru e abacaxi

Sempre achei que não seria capaz de fazer uma massa fresca. Seria necessário ter muita prática. Precisaria de uma máquina para estender e cortar a massa. Era algo que julguei durante muitos anos fora do meu alcance. Talvez por tudo isto estou muito orgulhosa, desculpem-me a falta de modéstia, por este efeito. Saiu bem à primeira tentativa e foi um prato de massa muito especial.

A receita è básica e foi retirada do Grande Livro de Cozinha:

- 165 g de farinha branca muito fina
- 1/2 colher de chá de sal
- 2 ovos

Esta é uma receita que dá para 2 pessoas. Sobre a bancada de cozinha coloquei a farinha e o sal. Fiz uma cova ao meio onde deitei os dois ovos. Com um garfo fui misturando os ovos de forma suave de modo a incorporar a farinha de modo gradual. Quando a consistência era a adequada fiz uma bola que amassei de manualmente durante uns 5 minutos. Foi necessário juntar um pouco mais de farinha, mas deve evitar-se que a massa fique muito seca. No final, enrolei em película aderente e deixei descansar cerca de 2 horas.

Na fase seguinte a bola de massa foi achatada e dividida com uma faca em quatro porções. Por sua vez cada uma delas foi estendida com um rolo enfarinhado até ter um elipsóide com 1 mm de espessura. Cortei depois os tagliatellis com a ajuda de uma faca bem afiada e envolvi-os em farinha para não colarem uns aos outros. Pendurei-os numa colher de pau suportada em dois frascos altos para secarem um pouco. Como podem verificar foi tudo muito artesanal. A massa foi depois cozida em água a ferver abundante, temperada de sal, durante 3 a 4 minutos. Como já não me sobrou muito tempo limitei-me a envolvê-la num pouco de azeite em que tinha feito dourar alho picado.

Esta massa acompanhou um assado de bifes de peru com abacaxi, cuja receita podem encontrar neste bolgue. Nesse dia utilizei tomilho limão para temperar e no final para além do azeite juntei um pouco de vinagre balsâmico.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Bolo Patriarca em versão Fa

Esta receita veio do blog da Babette. Foi experimentada no próprio dia em que ela a colocou e desapareceu muito rapidamente. Gostei do sabor intenso a chocolate e do facto de ser um bolo húmido e denso. Aqui deixo o endereço onde podem encontrar o original Bolo Patriarca.

sábado, 20 de agosto de 2011

Bacalhau no forno (em Santa Cruz)

Um almoço de amigas na praia de Santa Cruz. Horas perdidas e ganhas em conversas sem fim. Houve tempo para tudo nesse dia. Isto significou tomar novo pequeno almoço ao meio dia, antes de ir para a praia onde molhámos os pés nas águas gélidas e ficámos estendidas na areia a recordar as inúmeras vezes que ali tínhamos estado. Cumplicidades e brincadeiras trocadas no mesmo tom solto e despreocupado que antes tínhamos. Um L. que nos houve tagarelar e sorri. Só a fome nos fez regressar a casa. Ainda era necessário terminar o almoço integralmente preparado pela F. que me proibiu de levar comida ou bebida. A opção acabou por ser um romance ligeiro. Um livro de praia, daqueles que se deixam em casas onde sabemos que irão ganhar mofo e ficar amarelos. Para o ano, talvez alguém o volte a ler. A F. recordou-me os tempos em que eu levava um esquadro para cortar as maçãs reinetas em quadrados perfeitos. Estas faziam parte de uns bifes à Santa Cruz que tinha inventado na altura. Receita várias vezes repetida com excessos de rigor que tornavam hilariante a sua preparação.

Começámos por um creme de cenoura com agriões a que se seguiu um bacalhau no forno. Deixo aqui testemunho desta última receita. Começar por cozer o bacalhau e desfiar, retirando todas as espinhas. Fazer um refogado com cebola e azeite ao que se junta o bacalhau. À parte, preparar um béchamel a que se juntam 2 a 3 gemas de ovos no final. Misturá-lo com o refogado e com um pacote de batata frita palha. Meia hora antes de ir para a mesa bater as claras em castelo e incorporar no creme. Levar ao forno a 180ºC.

Este bacalhau foi seguido de um tiramisú receita de outra amiga. Por lapso não foi fotografado. Deixámos o tempo correr, por isso só às seis da tarde é que se deu por finalizado o almoço.

A hora de regresso a Lisboa foi adiada até ao por-do-sol. Eu e a F. ficámos sentadas no muro da varanda e fizémos planos para outros almoços e jantares. As conversas foram mais sérias, talvez pela hora do dia, mas procurou-se encontrar sentido para os dias que se seguirão. Para já uma boa viagem à F..



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Gelatina de pêssego,iogurte e amêndoa

Esta é uma sobremesa saudável e muito agradável. Um final de refeição perfeito para dias de calor abafado como o que se regista hoje em Lisboa.

Para a parte branca servi-me de:

- 340 g de iogurte grego 0%
- 2 colheres de sopa de geleia de agave
- 1 colher de chá de essência de amêndoa

A esta mistura adicionei 125 ml de água, colocada a ferver 2 minutos com 2 colheres de chá de agar-agar previamente demolhado num pouco de água durante 10 minutos. Distribui a mistura por 5 copos.

Depois triturei duas mãos cheias de amêndoas com pele e coloquei um pouco do produto obtido em cada um dos copos.

Sobre a camada anterior deitei o puré de 6 pêssegos maduros a que adicionei 100 ml de água mais outras 2 colheres de chá de agar-agar, seguindo o procedimento anteriormente explicado. No total a receita deu para 5 copos pequenos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aperitivos

Como já referi numa entrada anterior os salgadinhos do lanche de anos da minha mãe foram preparados pela Ana. Folhadinhos de salchichas pequenas e umas sanduiches, enroladas e outras em triângulo, com paté. Tudo feito no momento. Com esta entrada, termina a série dedicada a este evento e eu retomarei a partir de amanhã o meu registo habitual.



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Folar de leitão assado (As receitas da minha mãe 3)


Este folar é uma adaptação que a minha mãe fez de uma receita tradicional de folar transmontano. O produto final fica excelente em particular para os apreciadores de leitão assado. Em Angola esta era uma comida de dias de festa, mas quando se fazia gerava sempre muitas sobras que era necessário aproveitar. Se algum necessitasse de escolher os meus pratos preferidos este seria um dos que estaria na lista.

Massa:

- 1 chávena de chá de azeite
- 500 g de farinha
- 5 ovos
- 50 g de fermento de padeiro
- 1 colher de chá de sal

Desfaz-se o fermento com um pouco de água morna e uma colher de chá de sal. Amassa-se com 100 g de farinha que se retira ao total. Prepara-se o fermento como se fosse para pão e deixa-se levedar, cobrindo o recipiente com um pano de cozinha e envolvendo-o com uma manta. Deixa-se levedar 30 minutos.
À parte, juntam-se os ovos ao azeite e batem-se ligeiramente; ligam-se ao fermento que já deve estar pronto, vai-se amassando, ligando o fermento aos ovos e azeite e, a pouco e pouco, juntando o resto da farinha, sempre amassando como se fosse pão. Depois de bem amassado, tapa-se bem e deixa-se levedar novamente durante 1 hora. Deve dobrar o volume.

Recheio:

- 2 colheres de sopa de margarina
- 1 cebola grande
- 1 ramo de salsa
- leitão assado q.b.

Parte-se o leitão aos bocados, tirando todos os ossos. Faz-se um refogado com a cebola picada e quando cozida acrescenta-se a salsa também picada. Junta-se a carne e deixa-se um pouco ao lume a tomar gosto. Unta-se um pirex de ir à mesa e ao forno, espalha-se, tapando o fundo, um terço da massa, sobre esta uma camada de carnes, depois outra de massa, outra ainda de carnes e, por último, a massa. Pincela-se com gema de ovo e leva-se ao forno a cozer cerca 35 a 40 minutos.