sábado, 10 de setembro de 2011

Férias que terminam

O que fica das férias:

a procura de novas formas de ver,

um estado zen,

a força para o que se segue,

e a frugalidade na mesa

Da terra

Estas mangas foram-nos oferecidas pelo dono de um restaurante onde temos ido almoçar. É detentor de um pequeno espaço de terra planta mangueiras, figueiras, goiabeiras e muitas outras espécies. Os ramos das goiabeiras mostram uma grande quantidade de frutos já em processo de maturação.

A dádiva inesperada de uma saco de mangas e de outro de figos mereceu que fosse estreado um dos pratos comprados na olaria de Porches. Neste caso, a cercadura deste recipiente de cerâmica representa umas pequenas flores do campo que existem nesta região.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Um biergarten algarvio


Este ano descobrimos um biergarten muito agradável na região de Porches. Localizado no campo consegue ser ao mesmo tempo um local calmo e um espaço de animação ao estilo bávaro. Os frescos das paredes são muito curiosos porque alguns dos personagens retratados são sem sombra de dúvidas portugueses.

O gosto pela cozinha da Baviera foi reforçado numa estadia recente, misto de trabalho/férias, em que estive alguns dias numa pequena cidade bávara. Adorei a comida ao mesmo tempo robusta e familiar mas com muitos vegetais. Por seu lado as sobremesas eram deliciosas e com menos gordura do que se poderia imaginar devido à utilização de quark. Os pequenos almoços, no convento onde ficámos instalados, iniciavam-se com enormes taças de iogurte e framboesas. Foi este universo de memórias que procurámos recuperar.

No primeiro dia comecei pelas salsichas brancas de Munique e por um apfelstrudel, enquanto no segundo dia, a que correspondem as fotografias seguintes, passei para umas panquecas de batata com puré de maçã e para concluir o jantar um doce de frutos vermelhos com creme de baunilha e gelado de baunilha.



sábado, 3 de setembro de 2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O azul de Porches

A olaria de Porches é sempre um local a merecer uma visita anual. A recuperação de antigos desenhos, misturados com novas criações produzem peças muito bonitas. Os azuis predominam mesmo quando são misturados com outras cores. São as cores de um mar transparente que bordeja praias de arribas escarpadas.

Pratos que se imaginam preenchidos com uma salada de tomate e óregãos e as travessas com carapaus alimados. Nas chávenas poderemos beber uma tisana com ervas da serra enquanto comemos queijinhos de amêndoa que retirados de uma pequena taça. No meu caso, desta vez, pensei num prato fundo para comer xarém. Comida a que me habituei deste de criança. Sempre feita numa versão simples e com azeite em lugar de banha.



terça-feira, 30 de agosto de 2011

As cores de Silves

Sempre que venho ao Algarve gosto de ir a Silves. Existem razões familiares remotas para isso, porém são as tonalidades que o grés de Silves dá a esta cidade que mais me atraem. Sentir a aproximação do burgo através da mudança de litologia e depois chegar a um ponto da estrada em que o castelo se torna visível com o seu tom ferroso.

O almoço, apesar do aspecto, não foi memorável. A cidade ainda estava engalanada em honra da feira medieval que já terminou. A referência a estas feiras recorda-me sempre uma colega especialista nesta época histórica que "sofre" bastante quando vê determinados produtos à venda, como se na Idade Média eles já fossem conhecidos e usados na Europa. De qualquer modo este tipo de actividades tem sido uma boa forma de interessar as pessoas por esta época, incluindo a respectiva música.


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os lugares de fronteira - praias de excelência e uma casa de pasto

Os espaços de fronteira são locais privilegiados onde podemos aproveitar o melhor de dois mundos. São uma espécie de intersecção de dois conjuntos capaz de potenciar qualidades que isoladas se dissipariam. As minhas férias, para já sem acidentes, estão a decorrer num desses locais mágicos por serem híbridos. Por isso, consigo conciliar o acesso a algumas das mais bonitas praias do Algarve com as características de uma região típica e popular onde ainda é possível ir a uma casa de pasto, com toalhas de plástico da cor do mar.

No Zé Leiteiro o menu não sofre grandes variações. Por um preço fixo comemos diferentes variedades de peixe grelhado sempre muito fresco, acompanhado com uma salada de tomate e óregãos e mais umas batatas pequenas cozidas. Partilha-se a mesa com outros turistas e somos alvo de olhares esfomeados dos que regressam da praia. Para o final de tarde ficar completo basta fazer uma passagem pelo Pai Pinguim, cujos gelados fazem concorrência a marcas de topo.


(Nota a fronteira a que me refiro situa-se entre Porches e Armação de Pêra)

sábado, 27 de agosto de 2011

Férias: uma partida e um regresso

O ano passado tive uma férias muito atribuladas com vários problemas a obrigarem a um regresso a Lisboa antecipado. Considero que o facto de às vezes ocorrerem uma sequência de problemas das nossas vidas isso é provocado por condições que os propiciam à partida. Não há relação nenhuma com o local em que estamos. Foi por isso que resolvemos regressar ao mesmo hotel onde tivémos as ditas férias cheias de peripécias. E aqui estamos nós com a mesma vista para o mar, sob as mesmas palmeiras, aproveitando um dia de cada vez. No hotel receberam-nos com um sorriso aberto e com votos de boas férias que neste caso sentimos não serem apenas palavras de circunstância.

Nos próximos dias tentarei dar conta do que por aqui se vai comendo. Algumas receitas de aproveitamentos que ainda tinha para colocar ficarão a aguardar pelo fim das férias.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Massa com peru e brócolos

Nesta última semana antes de partir para férias procuro gerir a escolha dos menus de forma a reduzir desperdícios. Foi um pouco assim que surgiu esta massa. O peru sobrou do assado anterior e foi cortado de forma grosseira em tirinhas e envolvido com molho de tomate. Juntei-lhe depois milho e brócolos cozidos em vapor, assim como tomates cereja crus. Tudo isto foi misturado com a massa cozida e foi ao forno depois de salpicado com lascas de queijo manchego.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Tagliatelli fresco e um assado de peru e abacaxi

Sempre achei que não seria capaz de fazer uma massa fresca. Seria necessário ter muita prática. Precisaria de uma máquina para estender e cortar a massa. Era algo que julguei durante muitos anos fora do meu alcance. Talvez por tudo isto estou muito orgulhosa, desculpem-me a falta de modéstia, por este efeito. Saiu bem à primeira tentativa e foi um prato de massa muito especial.

A receita è básica e foi retirada do Grande Livro de Cozinha:

- 165 g de farinha branca muito fina
- 1/2 colher de chá de sal
- 2 ovos

Esta é uma receita que dá para 2 pessoas. Sobre a bancada de cozinha coloquei a farinha e o sal. Fiz uma cova ao meio onde deitei os dois ovos. Com um garfo fui misturando os ovos de forma suave de modo a incorporar a farinha de modo gradual. Quando a consistência era a adequada fiz uma bola que amassei de manualmente durante uns 5 minutos. Foi necessário juntar um pouco mais de farinha, mas deve evitar-se que a massa fique muito seca. No final, enrolei em película aderente e deixei descansar cerca de 2 horas.

Na fase seguinte a bola de massa foi achatada e dividida com uma faca em quatro porções. Por sua vez cada uma delas foi estendida com um rolo enfarinhado até ter um elipsóide com 1 mm de espessura. Cortei depois os tagliatellis com a ajuda de uma faca bem afiada e envolvi-os em farinha para não colarem uns aos outros. Pendurei-os numa colher de pau suportada em dois frascos altos para secarem um pouco. Como podem verificar foi tudo muito artesanal. A massa foi depois cozida em água a ferver abundante, temperada de sal, durante 3 a 4 minutos. Como já não me sobrou muito tempo limitei-me a envolvê-la num pouco de azeite em que tinha feito dourar alho picado.

Esta massa acompanhou um assado de bifes de peru com abacaxi, cuja receita podem encontrar neste bolgue. Nesse dia utilizei tomilho limão para temperar e no final para além do azeite juntei um pouco de vinagre balsâmico.