domingo, 13 de novembro de 2011

Um chá no Mosteiro de Arouca


Esta semana, motivos de trabalho levaram pela primeira vez a Arouca, vila que a criação do Geopark de Arouca tem ajudado a dinamizar. Desta vez foi local de realização de um congresso internacional de geoturismo. Foi nesse contexto que tive a possibilidade de apreciar uma série de iguarias que me deixou com muita vontade de regressar para uma estadia mais longa. Enquanto isso não acontece retenho a enorme simpatia de todos os que nos receberam e a excelente qualidade da doçaria.

Esta casa de chá foi montada na antiga botica do convento, local onde se realizou o congresso. Era o espaço propício para uma conversa mais destendida entre colegas ou para um pequeno descanso a meio da manhã ou da tarde. A cor base era o "verde claro", designação que também dá nome a uma marca de compotas comercializada já em lojas gourmet.



A infusão que aqui bebemos é uma mistura mágica desenvolvida pela Maria Clara, que além de várias ervas contém pétalas de flores. Deliciosa! Foi saboreada num espaço acolhedor, acompanhada de quadrados de bolo de chocolate, de doce de leite e de limão com coco. Fresquíssimos, numa harmonia total a que se seguiu uma prova de compotas que vieram para a minha cozinha em frasquinhos cobertos com uma chita de florzinhas rosa com folhas verde claro. Ainda trouxe mais uma caixa de bolos, porque a Maria Clara todos dias fazia bolos frescos e não queria aproveitar os do dia anterior. Claro que depois de tudo isto ficou uma enorme vontade de regressar a Arouca.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Raia de caldeirada com uma pequena dissonância

A minha relação com o peixe é complexa. Os ódios e as paixões sucedem-se no tempo. Desconfio das texturas e dos odores. Excepção feita ao bacalhau e ao linguado espécimes em relação às quais não alimento reservas. Mas apesar deste clima de suspeita por vezes gosto de ir até ao mercado de Algés, comprar peixe. Foi o que aconteceu no sábado passado em que resolvi comprar raia para satisfazer o meu marido, que nos seus tempos de estudante, em França, comia com frequência este peixe. Pedi uns conselhos à peixeira sobre formas de cozinhar a raia e ela referiu a possibilidade de fazer uma caldeirada, cujo molho poderia engrossar com fígado do animal. Achei a ideia excelente. Pensei logo nos ómega 3 que ficariam a boiar no líquido. Tão saudáveis! Só não me lembrei de um problema importante - o cheiro, o horrível cheiro.

A confecção da raia, que em termos de paladar até estava gostosa, transformou-se num episódio trágico-cómico que exigiu a intervenção de grandes quantidades de spray de alfazema, para "purificar" o ar. Parecia que tinha derramado um frasco de óleo de fígado de bacalhau na cozinha. Depois, o odor forte espalhou-se pela casa. O meu marido protestava, como era possível eu ter colocado fígado no molho. Uma raia que poderia estar tão gostosa se não fosse este pequeno pormenor. Um peixe que nem costuma ter cheiro, dizia-me ele, enquanto se apressava a tapar o tacho! Enfim, hoje a tragédia terminou com os restos a irem para o lixo, porque tive consciência que eu não resistiria às moléculas que surgiriam de imediato na atmosfera da minha cozinha, caso me atrevesse a aquecer a raia e o respectivo molho. Não sei mesmo se o casamento não ficaria em perigo. Pelo menos eu seria ameaçada com uma ida de emergência ao restaurante mais próximo. De qualquer forma deixo-vos a base da receita e aconselho-as vivamente a não adicionarem os "maus" fígados da raia ao molho.

Comecei por fazer um refogado com 2 cebolas grandes às rodelas e azeite. Deixei alourar lentamente e depois juntei 1 folha de louro, três dentes de alho fatiados e 2 cravinhos. Posteriormente, adicionei uma lata pequena de tomate aos bocados, umas rodelas de chouriço, um pouco de pimento lampião, alguns filamentos de açafrão, sal e vinho branco (Bucelas). Deixei ganhar sabor e no final coloquei a raia já salgada (30 minutos) cerca de 10 minutos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Travesseiros com farinha de trigo integral (aproveitamentos de peru)


Esta receita é uma variante de outra que faço bastantes vezes para aproveitar restos de carne. Neste caso utilizei farinha de trigo integral (250 g) e 100 g de margarina vegetal que esfarelei juntamente à farinha. Adicionei a seguir 1 ovo, sal e água fria até obter a consistência adequada. Fiz uma bola e coloquei no frigorífico durante 30 minutos. Depois foi só estender e rechear com umas sobras de bifinhos de peru a que adicionei um pouco de caril em pó para avivar o sabor.

Antes de irem para o forno pincelei os travesseiros com gema de ovo. O tempo de exposição ao calor foi de cerca de 15 minutos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Bacalhau com crosta de milho

Dar novo visual a umas sobras de bacalhau, couve-portuguesa e cenouras cozidas foi um os objectivos esta receita. Não me apetecia fazer refogados nem molho béchamel, por isso a opção foi a crosta de milho.

Coloquei os restos numa taça de ir ao forno, partidos aos bocadinhos. Depois coloquei aproximadamente 2 latas de milho no copo triturador, juntando um pouco de creme de arroz para cozinha. Também poderia ter sido leite ou mesmo natas. Transformei em puré e em seguida adicionei 1 ovo e queijo parmesão até obter um creme espesso que coloquei em cima dos restantes ingredientes. Levei ao forno cerca de 20 minutos e no final liguei o grill para tostar um pouco a parte de cima.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Creme de couve-flor e alho francês

Estive à espera que a temperatura começasse a descer, embora de forma tímida, para fazer a minha primeira sopa de outono. A receita foi inventada no momento, tendo por base uma couve-flor média que parti aos ramos, uma quantidade igual de alho francês (congelado e já preparado), 1 cubo de legumes provençais, comprado no BRIO, 1/4 de colher de chá de caril, água e um pouco de sal. Deixei ferver 30 minutos e antes de triturar adicionei umas folhas de manjericão frescas.

No momento de servir acrescentei ainda 2 colheres de sopa de iogurte grego magro que epois misturei no creme. Só posso dizer que hoje me soube bem ter uma sopa para comer ao jantar.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ossobuco estufado

Creio que foi a segunda vez que preparei ossobuco. Não é algo que se deva comer todos os dias, mas a ideia de ter a carne ao lume com os legumes durante largo tempo fascinou-me. Funciona como contrapartida ao forno e talvez seja menos dispendioso.

Comecei por um refogado com bastante cebola e azeite a que depois juntei uma lata pequena de tomate. Seguiram-se de imediato outros temperos: talos de aipo, cenouras cortadas, 1 folha de louro sem a nervura central, 6 bagas de zimbro, 1/2 pimento lampião, sal, raminhos de tomilho limão e um pouco de vinho branco apenas o suficiente para cobrir a carne. Depois foi deixar em lume muito brando durante cerca de uma hora e meia.

domingo, 9 de outubro de 2011

Perna de borrego assada

Como já antes referi gosto de arranjar os tabuleiros que vão para o forno, como se estivesse a pintar uma paisagem. Cores que combinam e efeitos visuais que nalguns casos se intensificam e em outros se atenuam depois de passarem por uma exposição ao calor. Assim foi com este assado. O borrego era de excelente qualidade, como verifiquei posteriormente.

Primeiro furei-o com a faca de cerâmica em diversos locais de modo a enfiar dentro da carne dentes de alho inteiros (sem pele). Depois barrei a carne com abundante massa de pimentão. Poderia também ter utilizado uma pasta feita com alho, sal grosso, azeite e colorau (pimentão doce). Para completar a tortura espetei a carne com raminhos de alecrim.

À parte, cortei batatas biológicas em fatias finas, sem contudo chegar ao fundo da batata. Salpiquei-as com sal e alecrim. Por último reguei tudo com um pouco de azeite e de vinho branco. Levei ao forno cerca de 45 minutos, tendo regado a carne e as batatas com o molho a meio da cozedura.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Filetes de pescada com mostarda

Mais uma refeição rápida que resultou do desejo de comer um prato com uma textura cremosa. Assim, comecei por barrar quatro filetes de pescada com uma abundante camada de mostarda de Dijon forte. Depois fiz um pseudo molho béchamel. Isto é, utilizei azeite em lugar de manteiga a que acrescentei duas colheres de farinha de trigo integral e a seguir, de forma gradual, adicionei o leite (magro) até obter a consistência de creme. Temperei com sal e noz moscada, porque também tinha saudades do sabor desta especiaria. Coloquei o creme em cima dos filetes, salpiquei com sementes de sésamo preto e levei ao forno 20 minutos.

Quanto ao puré de batata que acompanhou o peixe ele foi feito da forma tradicional. Apenas acrescentei uma colher de chá de curcuma na água de cozer as batatas e no final substitui a manteiga por um fio de azeite.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Lombo de porco recheado com tâmaras

Estou de regresso aos assados. Como dizem a Mar e a Babette são uma imagem de marca desde blogue juntamente com as gelatinas. Neste caso comecei por abrir uma peça de lombo de porco, barrá-la com massa de pimentão e depois rechear com tâmaras e talos de aipo. Depois foi só fazer o rolo e colocar por cima umas folhas de tomilho limão. Aproveitei para assar umas cenouras, que deveriam ter sido cortadas longitudinalmente para facilitar a cozedura. Não o foram. Por isso estavam um pouco duras. Sobre estas coloquei azeite, sal e vinagre balsâmico, enquanto sobre a carne só deitei um fio de azeite. O assado ficou pronto em cerca de 40 minutos.

domingo, 2 de outubro de 2011

Iogurte com amêndoa ralada e clementinas

A ideia de ter um doce que nos espera no final de uma refeição reconforta sempre o espírito. Mesmo que seja algo simples, como aconteceu neste caso. Uma mistura de sabores que cada um por si já se bastaria.

Como base obtei por ralar umas amêndoas algarvias com pele. Por cima coloquei gomos de clemetina em calda que comprei no supermercado do El Corte Inglés. Mais um pouco de chocolate preto raspado de forma grosseira. Depois foi tudo tapado com um manto branco feito com iogurte magro (cremoso), 2 colheres de sopa de agave e 1 colher de sopa de essência de baunilha.