terça-feira, 1 de janeiro de 2013

As cores do novo ano


O amarelo e o verde claros foram os tons da mesa do ano novo. Profusão de dourados que procuram anunciar de forma simbólica desejos preciosos, tal como este metal. Não só os que se pagam com euros, mas principalmente os outros. Também as uvas e as romãs se associaram a este simbolismo.

Ao mesmo tempo, foi também uma mensagem de humor necessária para enfrentar tempos em que só se houve falar de crise. Pois, nesta mesa de ano novo, decidi que os euros seriam de ouro, muitos e doces.  Euros para serem saboreados, no final da refeição, e sem preocupações com o valor do défice.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013


FELIZ ANO NOVO





Gramado, Rio Grande do Sul
Dezembro de 2012

domingo, 30 de dezembro de 2012

Coelho respeitoso




A ideia para esta receita surgiu a partir de uma daquelas listas que os médicos entregam aos doentes, onde indicam numa coluna do lado esquerdo o que podem comer e do outro lado aquilo que está proibido. Porém, para se conseguir  respeitar estas prescrições é necessário fazer muitos malabarismos. Até porque se as receitas não forem bem sucedido não é provável obter êxito com a dieta. Neste caso, o ponto de partida foram os seguintes ingredientes:

1 coelho partido aos bocados
2 pacotes pequenos de vinho branco
3 cebolas tenras partidas às rodelas
3 colheres de chá cheias de mostarda de Dijon
1 1/2 de colher de chá de Ras-al-Hamoud
1/2 colher de chá de curcuma
alecrim seco
sal
azeite
água q.b.

Comecei por colocar o coelho a cozer cerca de 15 minutos neste caldo. Antes a carne também já tinha estado umas horas de infusão nesta mistura. Depois de escorrido coloquei num prato de ir ao forno e juntei-lhe batatas novas previamente cozidas. Reguei com um fio de azeite e salpiquei com uma mistura de temperos marroquinos que compro no El Corte Ingles. Infelizmente não tinha limões de conserva e nem tão pouco limões frescos, porque também teria ficado agradável adicionar um toque de acidez ao prato. Esquecia-me de referir que também coloquei umas amêndoas embora esta não constassem da lista dos alimentos permitidos pela médica. Levei depois ao forno cerca de 10 a 15 minutos.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Bolo de Natal (Cristhmas Fruit Cake)


Este ano, quando comecei a pensar no festejos natalícios senti que o Bolo de Natal estaria entre os doces a preparar. Foi com uma sensação de paz e de ternura que abri um caderno de receitas, de capa amarela e de folhas já amareladas, não pelo tempo, mas sim pelo uso. Fruto dos salpicos de ovos, vinho do Porto, essência de baunilha, acrescentados a cada novo ano em que o bolo´era preparado.

Este era o primeiro doce a ser feito para o Natal. Com antecedência. Normalmente no princípio de Dezembro. Depois de frio era cortado em fatias e acondicionado numa enorme caixa, onde as referidas fatias ficavam dispostas entre folhas de papel vegetal. Também este procedimento foi mantido. Quanto à receita, embora inclua bastantes ingredientes não se pode dizer que seja um bolo trabalhoso.

- 250 g de manteiga
- 350 g de açúcar
- 8 ovos batidos moderadamente
- 150 g de farinha (5 a 6 chávenas de farinha)
- 1 1/2 colher de chá de fermento
- 3/4 de chávena almoçadeira de leite
- 1 chávena de corintos
- 1 colher de chá de cravinho em pó
- 1/2 colher de chá de noz moscada
- 1 colher de chá de canela
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1 chávena almoçadeira de mel de cana
- 2 colheres de chá de sal refinado
- 1 limão (casca ralada e respectivo sumo)
- 1 chávena de nozes
- 1/2 chávena de frutos cristalizados (cidrão e limão) cortados em pedacinhos
- 1 colher de sopa de água

Os frutos secos e cristalizados ganham em sabor se forem colocados umas horas de infusão em vinho do Porto. Aliás, podem ser preparados de véspera e no próprio dia escorridos.

Para o bolo começa-se por bater a manteiga com o açúcar até ficar um creme esbranquiçado. Depois juntam-se os líquidos e as frutas, deixando para o fim a farinha com o fermento. Esta receita permite encher duas formas compridas de bolo inglês. Estas devem ser bem untadas e forradas com papel vegetal de cozinha.

Por último, coloquei as formas dentro de um tabuleiro com água quente e levei ao forno (180ºC) durante 1 hora e 45 minutos. Se começar a ficar queimado por cima, coloca-se uma folha de papel de alumínio. No final, deve ser confirmada a cozedura com um palito de madeira. O bolo fica com alguma humidade no interior, por isso é importante deixar arrefecer bem antes de cortar.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Bilharacos


O Natal é sempre altura de retomar tradições.  Desta vez foram os esquecidos bilharacos, fritos de abóbora da região de Aveiro, que voltaram a estar presentes pelas mãos da Ana. Foi uma surpresa, para o meu pai recordar tempos de infância. Quanto à receita poderão encontrá-la no blogue Bruxinhas do Lar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Copos de creme de caranguejo, com abacaxi assado e camarões grelhados


A entrada do almoço de Natal foi inspirada numa receita que encontrei no último número da revista Saveur. Como o prato principal foi cabrito assado achei que a entrada deveria ser algo fresco e mais leve. Estava previsto que os camarões fossem maiores, mas quando os fomos comprar só restavam os de tamanho mais pequeno que obrigaram os comensais a fazerem uso de alguma perícia no uso dos talheres. Para mim, desde que o ambiente o permita, não há nada melhor que comê-los à mão.

O crme teve por base uma embalagem de ricota, um saco de carne de caranguejo, 1 frasco pequeno de ovas de salmão, 1/2 embalagem de cebolinho cortado muito fino e natas em quantidade suficiente para fornecer a consistência cremosa. Temperei apenas com sal refinado. Por cima coloquei uma pequena fatia de salmão fumado. Quando ao abacaxi e aos camaarões foram apenas grelhados, os últimos com alho picado e no final temperados de sumo de limão.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Bolo prestígio

 
Quando no início do mês estive em Porto Alegre tive oportunidade de provar e nalguns casos de olhar para monstras de casas de chá e pastelarias onde se destacavam bolos monumentais, como a torta Marta Rocha ou o bolo de côco queimado com ameixa. O bolo prestígio também faz parte dessa doçaria que mistura com mestria produtos tropicais, com tradições europeias.
 
Até decidir-me pela receita que iria fazer fiz várias consultas na internet, acabando por optar pela proposta de Isamara Amâncio  Ao princípio pensei que a calda fosse um excesso. Porém, depois de fazer a massa do bolo apercebi-me que era um elemento muito importante para o sucesso da receita. Apenas mudei a cobertura. Como gosto de chocolate preto resolvi fazer uma ganache com um tablette de chocolate (70%) da Lindt derretido em banho maria com um pouco 1/2 pacote de natas e um pouco de vinho do Porto.
 
Como se podem aperceber ficou um bolo enorme. Decorei-o com fios de ovos e com bagas de granberries.



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal branco e prata

 
 
Todos os anos a mesa de Natal tem cor e elementos distintos. Não resulta de qualquer planificação prévia. Simplesmente acontece em consequência do estado de alma que preside ao momento da repectiva feitura. Este ano aconteceu ser branca e prata, com pequenos apontamentos de azul fornecidos pelos pratos da Cozinha Velha.
 
 



sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Regressar a um Guaíba que já deixou de ser rio

 
 
Por estes dias tive oportunidade de regressar a uma cidade onde vivi alguns anos. Nestas ocasiões é  inevitável pensar se as nossa memórias irão ser muito afectadas, quiçá abaladas, e talvez até fosse melhor deixá-las como estão. Não retornar. Quere-se e não se quere. Foi no meio deste dilema que aterrei num fim de tarde em Porto Alegre no Rio Grande do Sul (Brasil). Ali estava o rio Guaíba e uma cidade maior, mas com os mesmos traços identitários. As mudanças acabaram por não ferir as memórias. Reavivaram-nas. Foi bom chegar a uma universidade onde alguém me recebeu de braços abertos e me disse estás na tua cidade.
 
Gostei de descobrir que o Guaíba não é mais um rio. Agora é um lago, assim o dizem os geólogos e geógrafos. Mudança que parece simples, mas não é. Está a gerar alterações na relação dos gaúchos com esta mancha liquida enorme. Ofereceram-me um livro com a explicação científica e tive a sorte de falar com um dos investigadores envolvidos no estudo. Faltou tempo para conversar, mais e mais, sobre a cultura pampeira, enquanto se poderia beber um chimarrão.

 
 

 



Um dos locais a visitar foi o mercado municipal e as bancas de produtos coloniais. Foi numa delas que comprei uma cuía, respetiva bomba e ainda uma bolsa para carregar todos os apetrechos para o chimarrão, incluindo a garrafa térmica. Este tinha sido um pedido de alguém que nunca tinha provado chimarrão. O pedido foi concedido e a cuía já está em uso com sucesso. Agora só falta encontrar um local em Lisboa que me permita comprar erva mate.

Quanto a doces comi umas tortas fantásticas, como a de chocolate recheada com côco, ou o bolo Marta Rocha. Há ainda a torta (bolo) de ameixa com côco queimado e muitos outros, que retratam uma fusão de culturas, italiana, alemã, portuguesa e outras, que foi capaz de gerar uma pastelaria de excelência. Um Brasil onde o chocolate é rei.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Notas de viagem - Santos 6

 Esta é a última entrada da presente série - notas de viagem. Algumas outras iguarias ficaram na memória, mas acabaram por não ter registo visual. Estou a pensar num bolo recheado com chantilly e côco fresco, numa muqueca de camarão, ou mesmo numa taça de canjica. Em Santos, a melhor refeição talvez tenha sido realizada no restaurante que corresponde a estas fotografias, o Bistrô Estação. Na actualidade é um restaurante escola que pertence à Unisantos. Por isso, há preocupações extra com o serviço.

O ambiente era muito agradável e decoração interessante. Gostei do candeeiro com peças de um serviço de chá em porcelana branca, mas existiam uma série de outros detalhes. O edifício era uma antiga estação de eléctricos, que foi agora recuperada. Registo, pela excelente qualidade, o pudim de pão que comemos à sobremesa. Muito bom. Quase se assemelhava ao pudim à Abade Priscos. Untuoso quanto baste e doce sem ser enjoativo.