domingo, 13 de janeiro de 2013

Tarde de domingo, panquecas e mirtilhos


As tardes de domingo não costumam ser como esta. À frente do computador na procura de concentração para retomar um trabalho. Por vezes acontece. Textos já esquecidos que é necessário retomar. Enredos e afirmações que foram ultrapassadas e exigem uma tarefa de bricolage para descobrir um qualquer ponto de ancoragem no velho para que a partir dele se conte uma nova história. Processos que carecem de tempo e de energia, porque se escreve e logo a seguir apaga-se tudo. Sofre-se até voltar a encontrar a coerência final.

As panquecas com mirtilhos fizeram parte desta tarde, assim como as músicas que a Mar colocou hoje no blogue. Não me atrevo a referir a receita das panquecas. Apenas fui adicionando ingredientes até achar que estaria no ponto. Há receitas que raramente faço na sua versão plena. O habitual é serem divagações sobre o tema. Claro que este método não garante sucesso, mas também não nos limita.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Caldeirada simples


Todas as receitas, ou melhor todos as preparações culinárias, isto porque algumas não têm origem em receitas, têm atrás uma pequena história ou um desejo mesmo que singelo. Neste caso, trata-se da lembrança de uma espécie de caldeirada, de confecção muito simplificada, que a minha mãe fazia com frequência e cuja origem era a minha avó paterna. Esta é uma nuance importante para a receita, porque quando em Ílhavo se pensa em caldeirada surge para além da tradicional a célebre caldeirada de enguias. No caso deste preparado ele aproxima-se mais da segunda versão.

Assim, comecei por fazer um refogado de azeite com 2 cebolas grandes picadas a que juntei duas folhas de louro e alguns grãos de pimenta da Jamaica. Juntei também 4 alhos picados. Quando a cebola começou a lourar adicionei um copo de vinha branco maduro, água suficiente para cobrir umas quantas batatas cortadas em rodelas grossas, 1/2 colher de chá de açafrão das Índias e uma pitada de filamentos de açafrão (oriundos da Tunísia). Temperei de sal e deixei ferver. Quando as batatas estavam quase cozidas adicionei duas postas de pescada (grossas) já temperadas de sal. Deixei cozer mais 8 a 10 minutos e servi de seguida.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Gelatina de maçã em vinho


No Ano Novo comprei uma maçãs grammy smith para a decoração da mesa e como as acho muito ácidas resolvi aproveitá-las numa sobremesa.

Como base para cozer as maçãs usei uma mistura de especiarias para vinho quente (gengibre seco, anis estrelado, cardamomo e canela) que coloquei a ferver num tacho em metade de vinho tinto e outra metade de água. Depois coei o líquido e coloquei em outro tacho onde tinha as maçãs peladas e cortadas aos quartos. Coloquei uma quantidade de água que não chegou a tapar a fruta, mas à medida que esta ia cozendo e se desfazia fui acrescentando um pouco mais. O processo foi muito rápido. No final adocei com 2 colheres de sopa de geleia de agave e adicionei 3 folhas de gelatina colocadas de molho em água fria durante 5 minutos. Como o puré ainda estava quente a gelatina fundiu com facilidade e ajudou a obter uma consistência mais cremosa, não totalmente sólida.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Sopa de inspiração magrebina


Esta receita foi inspirada no receituário dos países do norte de África. A ideia inicial era obter um prato suficientemente completo que incluísse proteínas, hidratos de carbono e legumes. Algo substancial e ao mesmo tempo dietético para fazer parte, como prato principal, de um jantar.

Comecei por refogar em azeite uma cebola grande picada, Quando estava a alourar deitei 2 dentes de alho laminados, tendo o cuidado de não os deixar queimar. De seguida adicionei vários legumes cortados aos cubos pequenos: abóbora hokaido (sem casca), pastinacas, nabos, alho francês, courgette e cenoura. Adicionei água até cerca de 2 cm acima do nível dos legumes. Depois juntei 4 mãos cheias de trigo partido (bulgur) e temperei com sal e mistura de especiarias marroquina (Corte Inglés). Deixei ferver e ao fim de 10 minutos adicionei folhas de nabiça ripadas. Ferveu mais 5 minutos. Nessa altura acrescentei 1 peito de frango cortado aos cubos. Como o tinha tirado pouco antes do congelador foi fácil cortá-lo em cubos uniformes. Deixei ferver mais 5 minutos para cozer o frango.

Servi em taças grandes e numa dose substancial.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Peito de peru recheado com pêra rocha


Janeiro é um mês longo e que todos começamos com boas intenções. Deixam-se para trás os excessos e procuram-se receitas mais saudáveis. É o que está a acontecer na minha cozinha. Procuro dedicar mais tempo a um aspecto do quotidiano essencial para o nosso bem estar.

Este rolo foi feito a partir de um peito de peru. No talho preparam-me a carne de modo a ficar uma peça mais menos rectangular. Comecei por colocá-la de infusão em vinho branco e pimentão durante 24 horas para a carne não ficar muito seca. Depois barrei o peito de peru com massa de pimentão e recheei com pêras rocha pequenas partidas aos quartos. Atei com um cordel para lhe dar a forma de rolo e foi a assar num tabuleiro onde coloquei mais umas pêras e uma cabeça de alhos partida ao meio. Reguei com azeite e foi ao forno cerca de 25 minutos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Flores de chocolate


Estas flores de chocolate não corresponderam à expectativa inicial. Apenas por persistência da A. foram salvas do caixote do lixo.

Tudo aconteceu por culpa minha que resolvi derreter o chocolate no microondas. Quando comecei a acrescentar um pouco de natas ao chocolate aconteceu qualquer mudança de estado físico, porque deixei de ter um creme sedoso, para passar a ter um granulado baço e pegachoso. Mesmo assim desenhei uns círculos de chocolate sobre papel sulfurizado e enfiei-lhes um espeto de madeira. Para decorar utilizei umas amêndoas torradas. Passado pouco tempo começo a observar o aparecimento de um líquido incolor à volta das rodelas de chocolate. Foi o momento de pensar que o insucesso era total.

Porém, no dia seguinte eles lá estavam as flores como a fotografia demonstra. A A. lembrou-se de as colocar num copo com açúcar. E o mais espantoso é que estas flores de chocolate estavam muito gostosas. Agora quanto à receita só lhes posso contar o que aconteceu e penso que só por novo acidente os conseguirei voltar a fazer com este aspecto.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Côcos de camarão



Muitas vezes quando se tiram as fotografias já estamos cansada e apressadas, porque chegou a hora da refeição e há que chamar família e amigos. Depois fica-se com pena de não ter tido mais cuidado. Bastava um pouco mais de tempo e teríamos conseguido um ângulo melhor.

Senti isso com as fotografias destes côcos de camarão que são sem sombra de dúvidas a melhor receita de entrada/peixe que consigo fazer. Dão um pouco de trabalho, por isso não os faço com frequência. A receita herdei-a da minha mãe, juntamente com uma caixa cheia de côcos partidos ao meio que são depois revestidos de alface antes de se lhes colocar o creme no interior.  Foi sempre um prato feito em ocasiões especiais, por isso achei que os deveria fazer para o almoço de Ano Novo.

Para a sua preparação precisamos de:

 1 kg de camarão cru
100 g de manteiga
1/2 l de leite de côco
1/2 kg de tomate maduro
1 colher de sopa de natas
sal q.b.
piri-piri
louro

Começa-se por cozer o camarão em água com bastante sal durante 5 minutos. . Deixam-se arrefecer um pouco dentro de água e depois descascam-se. À parte, juntam-se as cabeças e cascas a 1/2 litro de leite de côco.

Num outro tacho leva-se ao lume uma cebola grande picada e 100 g de manteiga. Tapa-se o tacho e deixa-se a cebola amolecer. Junta-se depois o tomate sem pele e sem grainhas, cortado aos bocadinhos, uma folha de louro e o piri-piri. Deixa-se cozinhar durante 15 minutos. A seguir adiciona-se a este molho as cascas de camarão com o leite de côco e deixa-se ferver mais 10 minutos. Durante este período devem calcar-se as cascas e as cabeças com uma colher de pau para libertarem todos os sucos.

Passa-se então pelo passe-vite esta mistura, para obter um molho a que se juntam os camarões. Esta parte é a mais cansativa, mas o passe vite contínua a ser o instrumento ideal para este processo. Adiciona-se uma colher de natas e caso seja necessário podemos engrossar o molho com um pouco de farinha de amido desfeita previamente em leite. O creme deverá ter uma consistência espessa a ser servido quente em metades de côco forradas com alface. A minha mãe gostava ainda de colocar os côcos dentro de uma espécie de flor feita de repolho roxo. Para terminar posso apenas dizer que o sabor concentrado e aveludado é fantástico. Nota: esta dose dá cerca de 6 côcos.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

As cores do novo ano


O amarelo e o verde claros foram os tons da mesa do ano novo. Profusão de dourados que procuram anunciar de forma simbólica desejos preciosos, tal como este metal. Não só os que se pagam com euros, mas principalmente os outros. Também as uvas e as romãs se associaram a este simbolismo.

Ao mesmo tempo, foi também uma mensagem de humor necessária para enfrentar tempos em que só se houve falar de crise. Pois, nesta mesa de ano novo, decidi que os euros seriam de ouro, muitos e doces.  Euros para serem saboreados, no final da refeição, e sem preocupações com o valor do défice.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2013


FELIZ ANO NOVO





Gramado, Rio Grande do Sul
Dezembro de 2012

domingo, 30 de dezembro de 2012

Coelho respeitoso




A ideia para esta receita surgiu a partir de uma daquelas listas que os médicos entregam aos doentes, onde indicam numa coluna do lado esquerdo o que podem comer e do outro lado aquilo que está proibido. Porém, para se conseguir  respeitar estas prescrições é necessário fazer muitos malabarismos. Até porque se as receitas não forem bem sucedido não é provável obter êxito com a dieta. Neste caso, o ponto de partida foram os seguintes ingredientes:

1 coelho partido aos bocados
2 pacotes pequenos de vinho branco
3 cebolas tenras partidas às rodelas
3 colheres de chá cheias de mostarda de Dijon
1 1/2 de colher de chá de Ras-al-Hamoud
1/2 colher de chá de curcuma
alecrim seco
sal
azeite
água q.b.

Comecei por colocar o coelho a cozer cerca de 15 minutos neste caldo. Antes a carne também já tinha estado umas horas de infusão nesta mistura. Depois de escorrido coloquei num prato de ir ao forno e juntei-lhe batatas novas previamente cozidas. Reguei com um fio de azeite e salpiquei com uma mistura de temperos marroquinos que compro no El Corte Ingles. Infelizmente não tinha limões de conserva e nem tão pouco limões frescos, porque também teria ficado agradável adicionar um toque de acidez ao prato. Esquecia-me de referir que também coloquei umas amêndoas embora esta não constassem da lista dos alimentos permitidos pela médica. Levei depois ao forno cerca de 10 a 15 minutos.