quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: a cozinha do Mosteiro de Alcobaça
Com o mês de setembro já avançado, na enumeração dos dias, é altura de terminar estes apontamentos de férias. Assim, este será o último da série. É o registo de uma (re) visita à cozinha do Mosteiro de Alcobaça.
Pela informação recolhida no local os espaços actuais resultaram de obras efectuadas no século XVIII. Obras essas que revelam já cuidados especiais com algumas funcionalidades necessárias numa cozinha. Por exemplo, foi desviado o curso de um pequeno ribeiro para passar neste local, permitindo deste modo a existência de água corrente e uma maior higiene na preparação dos alimentos. Lateralmente ao espaço central onde se destaca a enorme chaminé e duas grandes mesas de pedra, existem também várioslocais destinados à lavagem dos vários produtos.
Mas para além destas questões, a parte mais estimulante da visita é imaginar o que seria aqui confeccionado. E nesse exercício sou conduzida aos "Apontamentos de cozinha" de Leonardo da Vinci, obra anterior no tempo a esta reforma e que provavelmente nem terá sido escrita por este autor. Mas seja qual for a sua origem verdadeira ela evidencia os vários problemas que foi necessário resolver até chegar à versão actual de cozinha. E estou a pensar num país europeu e num apartamento de cidade destinado à classe média. Quantas melhorias e quantas facilidades!
Por certo, este foi um local onde se assaram peças de caça ou de animais domesticados. Onde se fizeram compotas e geleias com a fruta da região, e, onde os ovos e o açúcar foram usados em profusão para produzir alguns dos doces que hoje fazem parte do património designado por doçaria conventual.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: Sesimbra, farinha torrada, praia e peixe assado
Gosto de praias vazias. Às primeiras horas da manhã. Quando as gaivotas ainda descansam no areal. Neste momento as nossas pegadas começam a cruzar as destas aves. Passado pouco tempo serão as da espécie humana a dominarem tudo. É a evolução percepcionada num curto espaço de tempo. A sintonia com a natureza é mail fácil de ser conseguida a esta hora. Sem esquecer porém os banhos de final de tarde. De preferência em setembro quando a luz é mais suave. Sentir no corpo o fluxo de vai e vem da maré que ora nos arrasta para terra, ora para o mar. Procurar encontrar o equilíbrio entre forças fisicamente opostas. Também esses são momentos especiais a guardar para o resto do ano.
No resto do tempo, entre o amanhecer e o anoitecer, faz-se o normal. Por exemplo, no caso de Sesimbra podemos provar uma especialidade local - Farinha Torrada. Comecei por me aperceber da sua existência no buffet de pequeno almoço do hotel. Intrigou-me o aspecto. Provei. Achei muito doce. Mas acabei por ir buscar outro quadrado. No dia seguinte voltei a repetir e soube-me ainda melhor. Nessa altura já tinha descoberto que a Farinha Torrada tinha origem numa espécie de barras energéticas que os pescadores levavam para o mar em tempos recuados. Hoje sofreu alterações para estar mais de acordo com os nosso paladar. Por sua vez eu ainda introduzi mais alterações na receita que encontrei no blog - Diário da Cozinha. Na minha versão ficou assim:
- 250 g de farinha
- 250 g de açúcar mascavado
- 1 limão (casca ralada)
- 1 colher de sobremesa de canela
- 75 g de chocolate preto 70% cortado com uma faca aos bocadinhos (Lindt para cozinha)
- 3 ovos
- 125 gr de mirtilos
Depois de tudo misturado coloquei num tabuleiro de 25 x 18 cm, forrado com papel vegetal de cozinha. Salpiquei com farinha e levei ao forno (180ºC) cerca de 20 minutos. No final, retirei e coloquei a arrefecer sobre uma grelha. Só depois de frio é que cortei os quadrados. O resultado é delicioso. De tal forma que já os coloquei todos numa caixa para os oferecer. Induzem o pecado muito facilmente. Irei pensar numa receita mais dietética sem adulterar muito o sabor.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: termas, sestas, moscas e uns almoços reconfortantes
O destino, ou outra entidade qualquer, decidiu que as coisas iriam correr mal. A referida tia caiu no hotel logo no primeiro dia e partiu um braço. A partir daí foi o reboliço total. Era necessário montar um serviço de vigília à doente. O hotel por sua vez revelou-se uma catástrofe, sentimento aumentado pela nossa má vontade. Até hoje só recordo as moscas em quantidade incontrolável e um jantar de cabeças de linguado cozidas com batatas e verduras. Claro que no dia seguinte as férias terminaram e regressámos a Lisboa, jurando que nunca mais voltaríamos a Monte Real. A promessa foi cumprida durante muito tempo até que este ano resolvi enfrentar o trauma. E lá fomos descansar uns dias para as termas, sem fazer "termas" nem "spa". Apenas descansar. Ler, comer bem, passear, ... tudo aquilo que se faz quando estamos predispostos a acreditar que o tempo é infindável.
As moscas continuavam por lá. Zunindo e infernizando a vida de quem gostava de beber todas as manhãs uma água fresca no Café Central, enquanto lia o jornal. Depois reparámos que também elas tinham os seus dias. Certamente função da humidade e do calor. Mas na maior parte dos locais não existiam moscas. Pareciam ter encontrar no Café Central o seu local favorito, talvez pela parreira cujas ramagens tapavam parte da esplanada. Nunca desistimos deste café, nem as moscas de nós. Arranjámos uma estratégia. Despejávamos um pacotinho de açúcar no prato que vinha com a chávena de café. Deste modo elas ficavam entretidas durante algum tempo.
Aproveito também esta entrada para recomendar dois locais onde se come bem perto de Monte Real. O restaurante Rotunda na praia de Pedrogão, onde o peixe é muito fresco e onde preparam um arroz de grelos excepcional. Há apenas de ter em conta as perguntas que se fazem ao dono do restaurante o qual nunca deve ser questionado sobre a origem do peixe ou qualquer outro aspecto menos positivo. Tendo esse cuidado tudo correrá bem. Outra especialidade que descobrimos foi o leitão assado à moda da Boa Vista (perto de Leiria). Ficámos rendidos. Existem vários restaurantes nesta povoação onde se come o referido leitão, muito superior ao que se faz actualmente na Mealhada. E digo-o como apreciadora de leitão assado. Justifica uma deslocação a Leiria para ir comer leitão.
Nota: as fotografias seguintes foram tiradas no parque das Caldas da Rainha.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: "Vintage Foz Club" na Foz do Arelho
As férias levam-nos muitas vezes a locais há muito não visitados. Daqueles que ficaram cristalizados em cantos da nossa memória. Fomos lá um dia, há muitos, muitos anos. Nunca mais lá voltámos. Sem qualquer razão. Apenas aconteceu. Por isso, as recordações daqueles espaços normalmente já não se encaixam na realidade. A Foz do Arelho é para mim um exemplo desse tipo de situações. As imagens que tenho já não representam nada que exista, ou pelo menos eu não consegui identificar os locais onde antes tinha estado.
Para memória futura, ficou agora a visita a um restaurante de moda, aberto há poucos meses: o Vintage Foz Club. Um espaço muito agradável onde tivemos um almoço suportado numa vasta oferta de petiscos. Propício ao encontro com amigos e ao recordar de outras histórias, e, acima de tudo, ao colocar em dia conversas, que durante o ano de trabalho acabam por por não acontecer. Assim aconteceu no final de Agosto, com tempo e boa disposição para saborear os vários petiscos.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: a "Casa da Nora" em Cortes (Leiria)
As férias ainda não terminaram mas já é possível fazer um registo dos locais mais agradáveis por onde andámos. Conta não só o espaço, mais ou menos idílico, como a qualidade do que nos serviram. Por isso vale a pena referir a "Casa da Nora" em Corte, muito perto de Leiria. Já tinha encontrado referências a este restaurante em alguns guias. Ficámos contudo a saber que Cortes é uma aldeia conhecida, para além de outros aspetos, pelos seus restaurantes. Visitámos também o "Pião" onde comemos divinalmente por um preço bastante acessível.
No que se refere à "Casa da Nora" há a destacar não só a localização, à beira de um pequeno rio, como a qualidade do que servem. As escolhas podem não ter recaído sobre pratos de grande originalidade, mas qualquer deles, tanto o bacalhau com crosta de broa como o cozido à portuguesa, estavam bem confecionados e os produtos usados eram de excelente qualidade. Nos doces destaco um sorvete de maçã verde que me soube muito bem no final da refeição. Um sítio a regressar!
sábado, 31 de agosto de 2013
O peixe seco da Nazaré
Há muitos anos que não visitava a Nazaré. Confesso que já não me recordava da tradição do peixe seco ao sol na praia. Fiquei fascinada com o aspeto quase que gráfico que as várias espécies adquirem quando extendidas nas redes em processo de secagem. Não provei. Disseram-me que na maior parte dos casos se prepara uma salada com o peixe desfiado, cebola e salsa picadas, temperados com um bom azeite.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Uma falsa paella ou apenas um aproveitamento de restos de frango assado
Às vezes, passamos por épocas de preguiça ou tão só de cansaço que nos obrigam a socorrer dos frangos assados de compra. Se de início podem revestir uma certa tentação logo se transformam numa comida monótona. É nessa altura que começam a aparecer umas sobras dos ditos frangos assados no frigorífico. Já ninguém os quer comer no dia seguinte. Claro que é sempre possível aproveitar a carne e transformá-la no recheio de uns pasteis. Porém não foi essa a solução que escolhi a semana passada.
Num tacho largo e baixo, comecei por refogar uma cebola nova picada com a sua abundante rama verde. Usei para esse fim um pouco de azeite e um pouco de margarida liquida da Becel. Adicionei 6 bagas de cardamomo esmagadas com o cabo de uma faca e um pouco de curcuma (açafrão das Índias). A seguir juntei duas chávenas de chá de arroz agulha e misturei-o com os ingredientes anteriores. Passado 1 a 2 minutos foi o momento de acrescentar 4 chávenas de caldo de verduras e rectificar o sal. Depois juntei uma courgette pequena cortada em lâminas finas com a ajuda do pelador de cenouras, 1/2 pimento vermelho em tiras e os bocados de frango assado que tinham sobrado da véspera.
Numa primeira fase deixei o arroz ao lume por 10 minutos, passando-o depois para o forno aquecido a 180ºC durante outros 10 minutos. Isto permitiu deixar o arroz mais seco e intensificar os sabores. A experiência correu bem. Agora até me sugerem ir comprar um frango assado para que eu prepare um arroz.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Apenas iogurte, maçãs cozidas e canela
Como referi, numa entrada anterior, fui obrigada recentemente a estar uns dias em dieta zero. A que se seguiram outros dias de dietas líquida, mole e por fim quase normal, mas com redução de açúcares e gorduras. Esta experiência fez-me reganhar o gosto pelos alimentos simples e pelas preparações depuradas. Tirar prazer das coisas simples. Muito simples mesmo, como neste caso em que se tratava apenas de iogurte magro entre duas camadas de maçãs cozidas, polvilhadas com um pouco de canela. E nem por isso deixou ser uma sobremesa excelente.
domingo, 11 de agosto de 2013
Doce de mirtilos em versão light
Nos últimos tempos procuro evitar comer doces ou pelo menos reduzir bastante o consumo de bolachas, biscoitos, bolos e sobremesas. Acho mesmo que já consegui atingir uma fase em que não sinto grande necessidade de ingerir açúcares. Mas por outro lado, como também reduzi drasticamente as gorduras na minha dieta preciso de encontrar "algo" inofensivo que sirva para barrar uma tosta ou uma simples fatia de pão. Por isso, pensei em fazer compotas com uma adição de açúcar reduzida. Claro que isso implicará que sejam comidas com uma certa celeridade. Mas esse problema também se resolve preparando quantidades pequenas. Por exemplo, o suficiente para encher uma pequena taça que guardarei no frigorífico durante uma semana. Foi assim que surgiu este doce de mirtilos muito light.
Esta semana comprei no supermercado duas caixas de mirtilos que se revelaram um pouco ácidos. Estavam assim reunidas as condições ideais para fazer a primeira compota light. Comecei por lavar os mirtilos e colocá-los num tacho pequeno cobertos por água. Juntei um pau de canela e deixei ferver 10 minutos. A meio deste processo adicionei 2 colheres de sopa de açúcar mascavado. No final, coloquei o "doce", que já estava um pouco mais espesso, numa taça e juntei 2 folhas de gelatina previamente demolhadas. Mexi e deixei arrefecer antes de colocar no frigorífico.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Clafoutis de nectarinas
O terraço torna-se no meu espaço preferido sempre que sou obrigada a abrandar o ritmo de trabalho. Local de descanso, de leitura e também de lanches que às vezes se prolongam pela noite. Ou apenas ficar sentada a olhar para a Lua ou assistir ao nascer do Sol. Posso mesmo dizer que os dias começam e acabam no terraço sempre que o tempo o permite. Foi por isso o local escolhido para receber uns amigos que nos vieram visitar.
Um lanche em que ganhou destaque um clafoutis de nectarina. A receita, semelhante à de clafoutis de ruibarbo, apenas se diferenciou por neste caso utilizar nectarinas e ter sido aromatizado com licor de tangerina, feito por uma das minhas tias.
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