quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: a cozinha do Mosteiro de Alcobaça
Com o mês de setembro já avançado, na enumeração dos dias, é altura de terminar estes apontamentos de férias. Assim, este será o último da série. É o registo de uma (re) visita à cozinha do Mosteiro de Alcobaça.
Pela informação recolhida no local os espaços actuais resultaram de obras efectuadas no século XVIII. Obras essas que revelam já cuidados especiais com algumas funcionalidades necessárias numa cozinha. Por exemplo, foi desviado o curso de um pequeno ribeiro para passar neste local, permitindo deste modo a existência de água corrente e uma maior higiene na preparação dos alimentos. Lateralmente ao espaço central onde se destaca a enorme chaminé e duas grandes mesas de pedra, existem também várioslocais destinados à lavagem dos vários produtos.
Mas para além destas questões, a parte mais estimulante da visita é imaginar o que seria aqui confeccionado. E nesse exercício sou conduzida aos "Apontamentos de cozinha" de Leonardo da Vinci, obra anterior no tempo a esta reforma e que provavelmente nem terá sido escrita por este autor. Mas seja qual for a sua origem verdadeira ela evidencia os vários problemas que foi necessário resolver até chegar à versão actual de cozinha. E estou a pensar num país europeu e num apartamento de cidade destinado à classe média. Quantas melhorias e quantas facilidades!
Por certo, este foi um local onde se assaram peças de caça ou de animais domesticados. Onde se fizeram compotas e geleias com a fruta da região, e, onde os ovos e o açúcar foram usados em profusão para produzir alguns dos doces que hoje fazem parte do património designado por doçaria conventual.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: Sesimbra, farinha torrada, praia e peixe assado
Gosto de praias vazias. Às primeiras horas da manhã. Quando as gaivotas ainda descansam no areal. Neste momento as nossas pegadas começam a cruzar as destas aves. Passado pouco tempo serão as da espécie humana a dominarem tudo. É a evolução percepcionada num curto espaço de tempo. A sintonia com a natureza é mail fácil de ser conseguida a esta hora. Sem esquecer porém os banhos de final de tarde. De preferência em setembro quando a luz é mais suave. Sentir no corpo o fluxo de vai e vem da maré que ora nos arrasta para terra, ora para o mar. Procurar encontrar o equilíbrio entre forças fisicamente opostas. Também esses são momentos especiais a guardar para o resto do ano.
No resto do tempo, entre o amanhecer e o anoitecer, faz-se o normal. Por exemplo, no caso de Sesimbra podemos provar uma especialidade local - Farinha Torrada. Comecei por me aperceber da sua existência no buffet de pequeno almoço do hotel. Intrigou-me o aspecto. Provei. Achei muito doce. Mas acabei por ir buscar outro quadrado. No dia seguinte voltei a repetir e soube-me ainda melhor. Nessa altura já tinha descoberto que a Farinha Torrada tinha origem numa espécie de barras energéticas que os pescadores levavam para o mar em tempos recuados. Hoje sofreu alterações para estar mais de acordo com os nosso paladar. Por sua vez eu ainda introduzi mais alterações na receita que encontrei no blog - Diário da Cozinha. Na minha versão ficou assim:
- 250 g de farinha
- 250 g de açúcar mascavado
- 1 limão (casca ralada)
- 1 colher de sobremesa de canela
- 75 g de chocolate preto 70% cortado com uma faca aos bocadinhos (Lindt para cozinha)
- 3 ovos
- 125 gr de mirtilos
Depois de tudo misturado coloquei num tabuleiro de 25 x 18 cm, forrado com papel vegetal de cozinha. Salpiquei com farinha e levei ao forno (180ºC) cerca de 20 minutos. No final, retirei e coloquei a arrefecer sobre uma grelha. Só depois de frio é que cortei os quadrados. O resultado é delicioso. De tal forma que já os coloquei todos numa caixa para os oferecer. Induzem o pecado muito facilmente. Irei pensar numa receita mais dietética sem adulterar muito o sabor.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: termas, sestas, moscas e uns almoços reconfortantes
O destino, ou outra entidade qualquer, decidiu que as coisas iriam correr mal. A referida tia caiu no hotel logo no primeiro dia e partiu um braço. A partir daí foi o reboliço total. Era necessário montar um serviço de vigília à doente. O hotel por sua vez revelou-se uma catástrofe, sentimento aumentado pela nossa má vontade. Até hoje só recordo as moscas em quantidade incontrolável e um jantar de cabeças de linguado cozidas com batatas e verduras. Claro que no dia seguinte as férias terminaram e regressámos a Lisboa, jurando que nunca mais voltaríamos a Monte Real. A promessa foi cumprida durante muito tempo até que este ano resolvi enfrentar o trauma. E lá fomos descansar uns dias para as termas, sem fazer "termas" nem "spa". Apenas descansar. Ler, comer bem, passear, ... tudo aquilo que se faz quando estamos predispostos a acreditar que o tempo é infindável.
As moscas continuavam por lá. Zunindo e infernizando a vida de quem gostava de beber todas as manhãs uma água fresca no Café Central, enquanto lia o jornal. Depois reparámos que também elas tinham os seus dias. Certamente função da humidade e do calor. Mas na maior parte dos locais não existiam moscas. Pareciam ter encontrar no Café Central o seu local favorito, talvez pela parreira cujas ramagens tapavam parte da esplanada. Nunca desistimos deste café, nem as moscas de nós. Arranjámos uma estratégia. Despejávamos um pacotinho de açúcar no prato que vinha com a chávena de café. Deste modo elas ficavam entretidas durante algum tempo.
Aproveito também esta entrada para recomendar dois locais onde se come bem perto de Monte Real. O restaurante Rotunda na praia de Pedrogão, onde o peixe é muito fresco e onde preparam um arroz de grelos excepcional. Há apenas de ter em conta as perguntas que se fazem ao dono do restaurante o qual nunca deve ser questionado sobre a origem do peixe ou qualquer outro aspecto menos positivo. Tendo esse cuidado tudo correrá bem. Outra especialidade que descobrimos foi o leitão assado à moda da Boa Vista (perto de Leiria). Ficámos rendidos. Existem vários restaurantes nesta povoação onde se come o referido leitão, muito superior ao que se faz actualmente na Mealhada. E digo-o como apreciadora de leitão assado. Justifica uma deslocação a Leiria para ir comer leitão.
Nota: as fotografias seguintes foram tiradas no parque das Caldas da Rainha.
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: "Vintage Foz Club" na Foz do Arelho
As férias levam-nos muitas vezes a locais há muito não visitados. Daqueles que ficaram cristalizados em cantos da nossa memória. Fomos lá um dia, há muitos, muitos anos. Nunca mais lá voltámos. Sem qualquer razão. Apenas aconteceu. Por isso, as recordações daqueles espaços normalmente já não se encaixam na realidade. A Foz do Arelho é para mim um exemplo desse tipo de situações. As imagens que tenho já não representam nada que exista, ou pelo menos eu não consegui identificar os locais onde antes tinha estado.
Para memória futura, ficou agora a visita a um restaurante de moda, aberto há poucos meses: o Vintage Foz Club. Um espaço muito agradável onde tivemos um almoço suportado numa vasta oferta de petiscos. Propício ao encontro com amigos e ao recordar de outras histórias, e, acima de tudo, ao colocar em dia conversas, que durante o ano de trabalho acabam por por não acontecer. Assim aconteceu no final de Agosto, com tempo e boa disposição para saborear os vários petiscos.
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Apontamentos de férias: a "Casa da Nora" em Cortes (Leiria)
As férias ainda não terminaram mas já é possível fazer um registo dos locais mais agradáveis por onde andámos. Conta não só o espaço, mais ou menos idílico, como a qualidade do que nos serviram. Por isso vale a pena referir a "Casa da Nora" em Corte, muito perto de Leiria. Já tinha encontrado referências a este restaurante em alguns guias. Ficámos contudo a saber que Cortes é uma aldeia conhecida, para além de outros aspetos, pelos seus restaurantes. Visitámos também o "Pião" onde comemos divinalmente por um preço bastante acessível.
No que se refere à "Casa da Nora" há a destacar não só a localização, à beira de um pequeno rio, como a qualidade do que servem. As escolhas podem não ter recaído sobre pratos de grande originalidade, mas qualquer deles, tanto o bacalhau com crosta de broa como o cozido à portuguesa, estavam bem confecionados e os produtos usados eram de excelente qualidade. Nos doces destaco um sorvete de maçã verde que me soube muito bem no final da refeição. Um sítio a regressar!
sábado, 31 de agosto de 2013
O peixe seco da Nazaré
Há muitos anos que não visitava a Nazaré. Confesso que já não me recordava da tradição do peixe seco ao sol na praia. Fiquei fascinada com o aspeto quase que gráfico que as várias espécies adquirem quando extendidas nas redes em processo de secagem. Não provei. Disseram-me que na maior parte dos casos se prepara uma salada com o peixe desfiado, cebola e salsa picadas, temperados com um bom azeite.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Uma falsa paella ou apenas um aproveitamento de restos de frango assado
Às vezes, passamos por épocas de preguiça ou tão só de cansaço que nos obrigam a socorrer dos frangos assados de compra. Se de início podem revestir uma certa tentação logo se transformam numa comida monótona. É nessa altura que começam a aparecer umas sobras dos ditos frangos assados no frigorífico. Já ninguém os quer comer no dia seguinte. Claro que é sempre possível aproveitar a carne e transformá-la no recheio de uns pasteis. Porém não foi essa a solução que escolhi a semana passada.
Num tacho largo e baixo, comecei por refogar uma cebola nova picada com a sua abundante rama verde. Usei para esse fim um pouco de azeite e um pouco de margarida liquida da Becel. Adicionei 6 bagas de cardamomo esmagadas com o cabo de uma faca e um pouco de curcuma (açafrão das Índias). A seguir juntei duas chávenas de chá de arroz agulha e misturei-o com os ingredientes anteriores. Passado 1 a 2 minutos foi o momento de acrescentar 4 chávenas de caldo de verduras e rectificar o sal. Depois juntei uma courgette pequena cortada em lâminas finas com a ajuda do pelador de cenouras, 1/2 pimento vermelho em tiras e os bocados de frango assado que tinham sobrado da véspera.
Numa primeira fase deixei o arroz ao lume por 10 minutos, passando-o depois para o forno aquecido a 180ºC durante outros 10 minutos. Isto permitiu deixar o arroz mais seco e intensificar os sabores. A experiência correu bem. Agora até me sugerem ir comprar um frango assado para que eu prepare um arroz.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
Apenas iogurte, maçãs cozidas e canela
Como referi, numa entrada anterior, fui obrigada recentemente a estar uns dias em dieta zero. A que se seguiram outros dias de dietas líquida, mole e por fim quase normal, mas com redução de açúcares e gorduras. Esta experiência fez-me reganhar o gosto pelos alimentos simples e pelas preparações depuradas. Tirar prazer das coisas simples. Muito simples mesmo, como neste caso em que se tratava apenas de iogurte magro entre duas camadas de maçãs cozidas, polvilhadas com um pouco de canela. E nem por isso deixou ser uma sobremesa excelente.
domingo, 11 de agosto de 2013
Doce de mirtilos em versão light
Nos últimos tempos procuro evitar comer doces ou pelo menos reduzir bastante o consumo de bolachas, biscoitos, bolos e sobremesas. Acho mesmo que já consegui atingir uma fase em que não sinto grande necessidade de ingerir açúcares. Mas por outro lado, como também reduzi drasticamente as gorduras na minha dieta preciso de encontrar "algo" inofensivo que sirva para barrar uma tosta ou uma simples fatia de pão. Por isso, pensei em fazer compotas com uma adição de açúcar reduzida. Claro que isso implicará que sejam comidas com uma certa celeridade. Mas esse problema também se resolve preparando quantidades pequenas. Por exemplo, o suficiente para encher uma pequena taça que guardarei no frigorífico durante uma semana. Foi assim que surgiu este doce de mirtilos muito light.
Esta semana comprei no supermercado duas caixas de mirtilos que se revelaram um pouco ácidos. Estavam assim reunidas as condições ideais para fazer a primeira compota light. Comecei por lavar os mirtilos e colocá-los num tacho pequeno cobertos por água. Juntei um pau de canela e deixei ferver 10 minutos. A meio deste processo adicionei 2 colheres de sopa de açúcar mascavado. No final, coloquei o "doce", que já estava um pouco mais espesso, numa taça e juntei 2 folhas de gelatina previamente demolhadas. Mexi e deixei arrefecer antes de colocar no frigorífico.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
Clafoutis de nectarinas
O terraço torna-se no meu espaço preferido sempre que sou obrigada a abrandar o ritmo de trabalho. Local de descanso, de leitura e também de lanches que às vezes se prolongam pela noite. Ou apenas ficar sentada a olhar para a Lua ou assistir ao nascer do Sol. Posso mesmo dizer que os dias começam e acabam no terraço sempre que o tempo o permite. Foi por isso o local escolhido para receber uns amigos que nos vieram visitar.
Um lanche em que ganhou destaque um clafoutis de nectarina. A receita, semelhante à de clafoutis de ruibarbo, apenas se diferenciou por neste caso utilizar nectarinas e ter sido aromatizado com licor de tangerina, feito por uma das minhas tias.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Sopa de beldroegas com queijo feta
Esta semana chegou à minha cozinha um molhe de beldroegas enorme. Estavam com um aspecto fresco e pediam para ser cozinhadas o mais rápido possível. Fiquei, por isso, a pensar o que poderia fazer para o jantar com as ditas beldroegas. Ocorreu-me a possibilidade de adaptar uma receita alentejana aos ingredientes que tinha em casa.
Assim, comecei por refogar em azeite 2 cebolas frescas com rama verde e 2 cabeças de alho frescas ainda com rama. Estes últimos tinham um sabor suave por se encontrarem na fase inicial do seu desenvolvimento. Depois, juntei água, temperei de sal e adicionei as beldroegas previamente escolhidas (retirados os talos maiores). Deixei ferver cerca de 10 minutos. À hora do jantar coloquei algumas fatias de pão de Mafra em tigelas grandes de loiça branca e deitei o caldo com as beldroegas. A seguir, esfarelei queijo feta por cima.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Palermas (biscoitos - cozidos em água + assados no forno)
Ontem, ao folhear um velho caderno com recortes de receitas, encontrei estes "palermas". Despertaram-me o interesse pelo processo invulgar de confecção. Primeiro são cozidos em água a ferver e depois vão ao forno a dourar. A receita também em tempos despertou a atenção da minha mãe que colocou à margem um ponto de interrogação. Teria provavelmente a ideia de a testar.
Os ingredientes base são poucos: 4 ovos, 4 colheres de sopa de açúcar e 1 colher de sopa de manteiga derretida. Depois de bem batidos junta-se farinha em quantidade suficiente para se conseguirem tender umas argolas que se cozem em água a ferver. Logo que comecem a flutuar retiram-se com uma espumadeira e colocam-se num prato revestido com papel absorvente.
Quando olhei para as argolas, depois de cozidas, pensei que a palerma seria eu em fazer esta receita. O aspecto estava longe de corresponder ao que se imagina de uns biscoitos. Eram argolinhas de massa encarquilhadas e sem cor. Porém, dando seguimento à receita coloquei-as, depois de retirado o excesso de humidade, no tabuleiro de forno previamente revestido de papel vegetal. A seguir, foram ao forno até ficarem coradas. Por incrível que possa parecer até cresceram e ficaram com uma crosta agradável. Claro que não são biscoitos para gulosos, mas fazem lembrar a massa de choux. Foi uma boa surpresa.
Os ingredientes base são poucos: 4 ovos, 4 colheres de sopa de açúcar e 1 colher de sopa de manteiga derretida. Depois de bem batidos junta-se farinha em quantidade suficiente para se conseguirem tender umas argolas que se cozem em água a ferver. Logo que comecem a flutuar retiram-se com uma espumadeira e colocam-se num prato revestido com papel absorvente.
Quando olhei para as argolas, depois de cozidas, pensei que a palerma seria eu em fazer esta receita. O aspecto estava longe de corresponder ao que se imagina de uns biscoitos. Eram argolinhas de massa encarquilhadas e sem cor. Porém, dando seguimento à receita coloquei-as, depois de retirado o excesso de humidade, no tabuleiro de forno previamente revestido de papel vegetal. A seguir, foram ao forno até ficarem coradas. Por incrível que possa parecer até cresceram e ficaram com uma crosta agradável. Claro que não são biscoitos para gulosos, mas fazem lembrar a massa de choux. Foi uma boa surpresa.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Tarte rústica de ruibarbo, com maçã e mirtilhos
Para não voltar a repetir o clafoutis resolvi experimentar uma tarte rústica de ruibarbo. Claro que nesta caso trata-se de uma receita com muito mais gordura (na massa). Se esse facto contribui para enriquecer o sabor e para a tornar mais tenra a verdade é que também obriga a um consumo mais moderado.
A massa foi feita a partir de chávenas de chá de farinha, 3 colheres de sopa de açúcar, 150 g de manteiga acabada de sair do frigorífico e cortada aos cubos, e, mais 2 a 3 colheres de sopa de água gelada (variável em função do tipo de farinha). Como todas as massas de tarte devem misturar-se os ingredientes com cuidado para não derreter excessivamente a manteiga. Por isso, numa primeira fase utilizo um garfo e numa segunda as pontas dos dedos. Depois de obter uma massa homogénea coloco do frigorífico cerca de 30 minutos.
No recheio utilizei 8 hastes de ruibarbo a que retirei parte da pele exterior e cortei um troços de 3 cm. Adicionei também, para fazer volume, uma maçã com pele cortada em fatias e 1/2 caixa de mirtilhos. Coloquei num tacho com água apenas a cobrir o fundo e juntei 1/2 chávena de açúcar amarelo. Deixei ferver 10 minutos, adicionando 2 colheres de sopa de farinha de milho para absorção do liquido que entretanto se formou e não queria desperdiçar.
Depois da massa estendida coloquei no meio o recheio (frio) e fiz uns cortes em diagonal na periferia de modo a facilitar a dobragem da massa. Antes de ir para o forno ainda polvilhei a massa com açúcar refinado para obter uma textura mais crocante. O tempo de cozedura foi de 15 a 20 minutos a 180ºC.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
De olho num risotto de cogumelos e alho(s)
Já há dias que me perguntavam quando voltaria a fazer um risotto. Andava a adiar por ter vegetais que considerasse dignos desse fim. Por fim, acabei por passar no supermercado biológico onde encontrei uns alhos frescos, ainda com a rama verde, mais uns alhos franceses e uns cogumelos marrons que me pareceram fornecer a combinação perfeita.
Quanto à receita foi a da Mar que me incitou a fazer o primeiro risotto. Ficou na história. Agora todos os outros têm esse primeiro como referência. Para além, dos vegetais que referi também usei cenoura cortada em juliana.
quarta-feira, 29 de maio de 2013
O diabo vermelho passou pela minha cozinha (frigideira de lula gigante)
Primeiro houve um olhar de soslaio para a arca congeladora do supermercado. Lá dentro estva uma embalagem rectangular com o rótulo "tentáculos de pota ultracongelados". Desconfiei da afirmação. Afinal sempre ouvi dizer que as potas são uma espécie de lulas de qualidade inferior e mais duras. Para além disso, como era possível as lulas terem uns tentáculos tão grandes que se assemelhavam aos do polvo. Apesar de todas estas considerações negativas acabei por trazer a embalagem para casa.
Porém, a grande aventura só começou quando retirá-la do congelador fui ler o pequeno texto, em letras muito pequenas, que estava por debaixo do título: "(Dosidicus gigas) Capturado no Pacífico FAO 87". Coloquei o nome da espécie no Google e deparei-me com histórias fantásticas, algumas envolvendo mesmo naturalistas do século XIX, como Orbigny e Gray, com os quais me familiarizei por motivos de trabalho. Para não falar também do interesse do Rei D.Carlos por esta espécie. Já não eram apenas os tentáculos de lula gigante que estavam na cozinha. Havia uma história a redescobrir que falava de um diabo vermelho.
Estas lulas gigantes, que já deram origem no passado a muitas lendas, existem de verdade e vivem na costa este do Pacífico. Podem atingir cerca de 4 metros de comprimento. A captura com objetivos de consumo humano a grande escala é recente. Em vídeos como este é possível recolher mais informação sobre as lulas gigantes, designadas melos mexicanos como diabos vermelho. Isto porque podem alterar a cor para vermelho quando se sentem ameaçadas.
Este enquadramento científico e histórico aumentou a minha responsabilidade. Porque tenho como máxima na cozinha que se capturamos um animal para comer o devemos honrar. Que me desculpem os meus amigos vegans por esta confissão. Imagino que estejam chocados com esta minha vertente. Eu que até já me ofereci para dar um curso de cozinha vegetariana. Para desconto destas minhas incongruências tenho de confessar que esmerei-me e o resultado foi muito bom.
Comecei por cozer os tentáculos (1,5 kg) numa panela com água temperada com sal, pimenta, louro, 2 talos de aipo, 1 cebola grande inteira e algumas hastes de tomilho. Deixei ferver cerca de 90 minutos. Nos últimos 20 minutos acrescentei uma embalagem de batatas novas.
Na segunda fase da preparação coloquei numa frigideira grande azeite e uma cabeça de alhos esmagados com o cabo da faca, e, ainda 2 folhas de louro. Deitei as batatas escorridas na frigideira e fui virando para tomarem gosto. Entretanto cortei os tentáculos aos troços, acrescentando-os depois às batatas. Temperei com 2 colheres de pimentão doce, continuando sempre a virar com cuidado as batatas e as lulas para ganharem sabor. Por fim, burrifei com vinagre de vinho tinto. O resultado final foi muito bom.
terça-feira, 28 de maio de 2013
Bolo de chocolate com tomilho
Já há muito tempo que não tinha vontade de fotografar as flores do jardim. Ainda hoje, quando abro o portão de ferro que dá acesso à casa dos meus pais e sou obrigada a atravessar o jardim, não posso evitar o recordar das pequenas histórias que todas aquelas plantas encerram. Às vezes, passo rapidamente. Outras fico a olhar. Mas o vaso de amores-perfeitos é como se fosse uma presença invisível que está à minha espera. O local onde se encontra foi escolhido por mim. Talvez porque, nos últimos anos, sempre que vivi momentos de aflição sentava-me nos degraus de pedra da entrada, foi esse o espaço que considerei mais adequado para os vasos de amores-perfeitos. Isto porque já tenho dois. Oferta de amigos que sabem o que eles significam para mim.
Esta introdução mais intimista serve para explicar a minha vontade de fazer um bolo para o meu pai, mesmo sabendo que o último bolo que fiz ainda não foi comido. Não consultei livros nem blogues. Foi apenas uma experiência de mistura de ingredientes, com base em dois aromas principais: o do chocolate e o do tomiho. Acho que ligam muito bem.
Quanto à receita aqui fica:
- 2 chávenas de chá de farinha
- 1/2 chávena de chá de cacau em pó (magro)
- 1 chávena de chá de açúcar
- 1 chávena de chá de leite
- 1/2 chávena de azeite
- 1 colher de sopa de tomilho fresco picado (folhas)
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1 colher de chá de fermento
- 3 ovos
À semelhança de outros bolos juntei primeiro os ingredientes secos e depois os húmidos. Quantos aos ovos, optei por adicionar primeiro as gemas e por juntar no final as claras batidas em castelo. Depois foi só levá-lo ao forno pré-aquecido a 180ºC durante cerca de 30 minutos.
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Clafoutis de ruibarbo
As hastes de ruibarbo são sempre um desafio culinário. Rosas e verdes, têm tanto de fibroso como de água. Os anglosaxónicos parecem adorar este vegetal e possuem mesmo a capacidade de o transformar nas mais diversas receitas. A Nigella é um bom exemplo dessa paixão pelo ruibarbo. No nosso caso, como não é fácil encontrá-lo à venda e quando isso acontece o preço não é muito convidativo, o desafio da utilização do ruibarbo torna-se maior.
A minha fonte de inspiração veio de um livro recente de Alain Ducasse - Nature (Simple, sain et bon), escrito em parceria com uma nutricionista. A receita que escolhi tem como título - "Clafoutis de ruibarbo e whisky".
Comecei por retirar a pele exterior a 8 talos de ruibardo. De seguida cortei-os em troços de 3 cm. Depois coloquei-os numa taça e deitei 2 colheres de sopa de rapadura (açúcar amarelo). Mexi e deixei repousar 2 horas.
Para a massa do clafoutis adicionei 40 g de farinha, 1 pitada de sal com mais 2 colheres de sopa de rapadura. À parte, bati 2 ovos inteiros com um garfo, juntando depois 25 cl de leite meio-gordo e batendo de novo. Adicionei ainda 2 colheres de sopa de natas e voltei a bater. Juntei a mistura liquida aos produtos secos e voltei a bater para que ficasse homogénea. Por último adicionei 1 cálice de licor de whisky e misturei.
Barrei uma forma de tarte (18 cm) com manteiga e coloquei no fundo os talos de ruibarbo previamente escorridos. Deitei o creme por cima, tendo o cuidado que os talos ficassem bem distribuídos. Foi ao forno, pré-aquecido a 180ºC, durante aproximadamente 40 minutos (até ficar dourado). Sabe bem tanto quente como frio.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Peixe assado com limão e orégãos
A receita com mais sucesso (estatístico) neste blog tem como título "filetes de pescada no forno com orégãos e limão". Confesso que é um bom destino a dar aos filetes de pescada. Porém, como a faço com muita frequência, desde há muitos anos, já não a considero inovadora. Mas foi exatamente esta receita que me inspirou na confeção deste peixe - um salongo.
No prato de ir ao forno coloquei umas cenouras cortadas em sentido longitudinal para deste modo criar uma espécie de grelha onde o peixe assentou. Quanto a este, depois de o temperar de sal, coloquei dentes de alho partidos nas fendas e na cabeça. Por último temperei de azeite e folhas de orégão secas. Nota: as batatas tiveram uma fervura prévia antes de serem colocadas no tabuleiro. Por último foi ao forno a 180ºC durante cerca de 20 minutos, regando de vez em quando o peixe com o azeite.
terça-feira, 21 de maio de 2013
Lentilhas Du Puy com acelgas
Ao contrário das favas, as lentilhas são um legume a que adiro sem reservas, apesar de só há poucos anos fazerem parte da minha dieta alimentar. Já tenho experimentados várias qualidades e gosto de todas elas, porém as lentilhas Du Puy são talvez as mais saborosas. A fotografia não permite visualizar bem nem absorver os odores, muito menos o paladar, mas se confiarem em mim podem acreditar que ficaram um acompanhamento excelente.
Comecei por colocar um pouco de azeite ao lume num tacho onde deitei logo de seguida sementes de cominho (1 colher de chá ou um pouco mais), mostarda em grão e sementes de coentro (estas últimas em menor quantidade). Quando começaram a crepitar, o que acontece rapidamente, adicionei uma cebola grande picada, que deixei refogar. Entretanto adicionei 1/2 colher de chá de açafrão das Índias. Quando a cebola começou a ficar mole adicionei água e 1/2 pacote de lentilhas Du Puy. Deixei levantar fervura e juntei um molhe de acelgas bio, cortadas aos bocados. Temperei de sal e deixei cozer cerca de 30 minutos, evitando colocar excesso de água para que os sabores ficassem mais concentrados.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Salada de favas
Há pelo menos dois vegetais que continuo a fazer um esforço para os incorporar no meu receituário. Isto porque acho ser importante diversificar as fontes alimentares e, por outro lado, o facto de encontrar um grande número de receitas em que são utilizados. Todos os anos quando chega à época respectiva compro favas e funcho. Depois fico a pensar como os vou preparar. Neste caso, o esforço traduziu-se numa salada de favas.
Comecei por escaldar as favas em água a ferver antes de lhes tirar a pele mais grossa. A seguir fiz um refogado de azeite e duas cebolas novas com rama a que juntei as favas. Deixei refogar cerca de 10 minutos. Temperei de sal e adicionei 1 molhe de cebolinho fresco picado. Mais simples não podia ser. As favas ficaram ainda crocantes o que me agradou bastante.
Comecei por escaldar as favas em água a ferver antes de lhes tirar a pele mais grossa. A seguir fiz um refogado de azeite e duas cebolas novas com rama a que juntei as favas. Deixei refogar cerca de 10 minutos. Temperei de sal e adicionei 1 molhe de cebolinho fresco picado. Mais simples não podia ser. As favas ficaram ainda crocantes o que me agradou bastante.
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