terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Pernas de frango com cardos

Não me recordo se alguma vez já tinha preparado cardos. Se isso aconteceu não ficou na memória. Foi necessário consultar alguns livros para encontrar os modos habituais de confecção. Apercebi-me que necessitam de ser cozidos previamente e que depois são usados, com muita frequência, cobertos com um molho bechamel e polvilhados com queijo parmesão, indo de seguida ao forno.

A minha opção foi um pouco distinta. Depois de arranjados, o que significa retirar as partes mais fibrosas e cortá-los em bocados de cerca de 4 cm, foram cozidos em água temperada com um pouco de sal durante 30 a 40 minutos. Juntei-os então a duas pernas de frango (sem pele) e a umas batatas novas (pré-cozidas). Temperei tudo com uma mistura de especiarias marroquinas, compradas no supermercado do El Corte Inglés. Adicionei ainda uns talos de tomilho fresco e reguei com azeite. A seguir foi ao forno 40 minutos a 200 ºC.

O sabor dos cardos é excelente e justifica que muitos o considerem como uma iguaria. Infelizmente, em Portugal, temos vindo a perder o hábito de consumir estes produtos. Pela minha parte voltarei a comprá-los sempre que os encontrar à venda.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pasteis de carne (peru)

Tudo começou com um rolo de peito de peru que resolvi fazer estufado no meu tacho de ferro. Tive o cuidado de o temperar com bastantes ervas e legumes, porém a carne ficou um pouco seca. Foi assim que resolvi picar tudo, incluindo as verduras, e transformar o rolo num recheio de pasteis. Para dar mais sabor à carne e tirar-lhe o travo adocicado do peru juntei um pouco molho de tomate espesso, 2 colheres de sopa de chutney de manga verde (picante) e ainda 1 colher de sopa de caril.

Para a massa dos pasteis utilizei a receita que podem encontrar no blogue da Babette. Uma massa fácil de fazer, com uma quantidade de gordura que não é excessiva e ainda por cima extremamente gostosa. Desta vez segui as instruções à risca e correu tudo bem como podem testemunhar pela fotografia superior.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pequenos biscoitos de sementes de abóbora e de flocos de quinoa

Ontem, assisti na televisão, no canal M6, a um programa onde se falava sobre diversas tendências. Num dos excertos referia-se a moda do café gourmet. Isto é, um café normal acompanhado por um conjunto de miniaturas de bolos, batidos, gelados, etc.. O objectivo era dar a ilusão de que se estava a ingerir muito menos calorias em comparação com uma sobremesa normal. Porém, os pratos que mostravam sugeriam exactamente o contrário.

Como não sou apreciadora de café, mas sim de um bom chá fiquei a pensar no que poderia fazer de verdadeiramente saudável, mas que fornecesse também esta ideia de pequeno prazer estético e gustativo, associado a uma taça deste segundo néctar. Foi assim que me lembrei de criar esta receita.

Os ingredientes utilizados foram os seguintes:

- 1 chávena de chá de sementes de abóbora inteiras e depois moídas
- 1 chávena de chá de flocos de quinoa
- 1/2 chávena de chá de leite magro
- 1/3 de chávena de chá de geleia de agave
- 1 colher de sopa de essência de baunilha (preparada em casa)
- 1 ovo

Misturei todos os ingredientes. A seguir com a ajuda de uma colher de chá fiz pequenos montinhos sobre uma folha de papel vegetal, disposta em cima do tabuleiro do forno. Espetei em cada um deles uma semente de abóbora e levei ao forno entre 8 a 10 minutos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Creme de pastinacas com curcuma e tomilho

Esta é mais uma variação na minha já longa lista de cremes. Desta vez utilizei 4 pastinacas grandes e 2 courgettes médias sem pele. Tudo cortado aos bocados e cozido durante 30 minutos em água temperada com um caldo de legumes (bio) e com umas folhinhas de tomilho frescas. Para além disso também levou 1/2 colher de chá de curcuma. No final, foi tudo transformado em puré a que depois adicionei 2 colheres de sopa de creme de aveia para cozinha.

No momento de ir para a mesa coloquei um raminho de tomilho e um pouco de pimenta preta moída. Espero que esta sopa saudável compense todos os outros disparates alimentares que fiz hoje, isto é ter comido quase um cesto de pães de queijo acabados de sair do forno.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Pastelinhos de bacalhau

Estes folhados foram feitos no final da tarde para aproveitar umas sobras de recheio de bacalhau. Antes tinha passado pelo supermercado biológico onde comprei uma massa folhada já cortada para uso em tarteira. Foi esse o motivo porque optei por fazer uns pasteis mais pequenos, uma vez que deste modo desperdicei menos massa.

O recheio foi feito a partir de uma base de cebolas novas, cortadas muito finas, que deixei amolecer numa colher de sopa de margarina. A seguir juntei o bacalhau desfiado e polvilhei com uma colher de sobremesa de maizena. Fechei os pasteis com a ajuda de um garfo, fazendo pequenos sulcos à volta das meias luas. Depois foram pincelados com gema de ovo e salpicados com sementes de sésamo pretas.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um ano e quatro dias


Como refere aquela expressão, um pouco irritante, "é Natal todos os dias, basta querermos", considero que também é possível festejar o aniversário de um blogue em qualquer altura do ano. Neste caso, com muito menos implicações daquelas que adviriam da aplicação da máxima anterior. Assim, comemoro hoje 1 ano e 4 dias na vida deste espaço virtual de partilha de vivências culinárias.

Poderia fazer um balanço em termos quantitativos. Isto é, contabilizando quilos de açúcar, dúzias de ovos, litros de azeite, etc., tudo o que foi consumido ao longo deste ano. Somar e dividir por cada um dos dias para obter uma média. Porém, esta não é a minha metodologia preferida. Gosto de vias qualitativas, que considero mais fiáveis no retratar de realidades complexas. Penso, por isso, em todas as pessoas que tive oportunidade de conhecer e nos estímulos e carinho que recebi delas. Penso também no prazer que retirei da confecção de todas estas receitas. Do fotografar do produto final, às vezes, de forma apressada, mas sempre com algumas preocupações estéticas.

Assim, que melhor comemoração poderia desejar do que a de preparar um bolo de abóbora com mirtilhos, num ritmo lento em consonância com um final de tarde chuvoso. Tinha imaginado outro tipo de comemoração. A ementa já estava toda definida, mas não foi possível colocar em prática esses planos. O bolo infelizmente foi uma experiência mal sucedida. Acontece! Por esse motivo apenas vos deixo a fotografia.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Bacalhau assado com abóbora e alecrim

Gosto de fazer pratos rápidos que incluam logo os acompanhamentos. Também aprecio a variedade nas cores dos diferentes ingredientes. Para além do aspecto estético significam diversidade nos nutrientes, vitaminas, sais minerais, etc., aspecto a ter em consideração numa alimentação saudável.

Claro que este bacalhau necessitou de uma assadeira de barro preto de Bisalhães. Acho que estes barros são capazes de fornecer outro paladar, mesmo às preprações mais simples, como é o caso desta em que utilizei duas postas de bacalhau de cura amarela (demolhado entre 24 a 48 h). Ao redor do peixe coloquei pedaços de abóbora hokaido (potimarrom) com casca, dentes de alho e batatas novas pré-cozidas em água com sal durante cerca de 10 minutos. Tudo temperado com alecrim e regado abundantemente com azeite. Depois foi só levar ao forno cerca 45 minutos, no nível mais baixo das prateleiras e a uma temperatura de 180ºC.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Couve roxa com maçã

Em termos gastronómicos o dia não me correu muito bem. Preciso de tempo e de disponibilidade mental para cozinhar. Não consigo estar concentrada em outros assuntos ao mesmo tempo que desenvolvo alguma actividade culinária. Aliás, conseguir até consigo, mas não sou bem sucedida. Hoje a única coisa positiva que surgiu na minha cozinha foi este singelo acompanhamento de couve roxa.

Comecei por picar uma cebola grande e alourá-la em azeite (pouco). Depois adicionei 3 maçãs pequenas cortadas aos cubos, 1 repolho roxo também pequeno e cortado muito fininho, 1/2 malagueta, sal e 1 colher de sopa de vinagre de Modena. Dexei estufar neste tempero, mechendo com uma colher de pau. Acrescentei um pouco de água e deixei cozer 30 minutos em fogo brando, com o tacho tapado.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Creme de couve-flor

Entre comemoração e comemoração é necessário ter algum cuidado com a dieta. Preciso compensar os momentos em que como de forma compulsiva. Este é o principal motivo pelo qual insisto em fazer cremes de legumes simples, mas capazes de aplacarem o meu apetite por chocolate, queijo, doces, etc..

Desta vez a base foram 3 couves-flor pequenas, cortadas aos pedacinhos, 1 courgette média e 1 batata doce. Coloquei a ferver em água temperada com um caldo de legumes e 1/2 colher de caril para cortar o aroma da couve-flor. Ferveu 30 minutos. Depois juntei mais 1/2 colher de café de caril, retirei parte do liquido e triturei com a varinha mágica. No final, juntei 2 colheres de sopa de creme de aveia.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Focaccia de alecrim com boqueirões

Iniciar o ano com um prato que na sua base tem apenas dois ingredientes fundamentais - pão e sardinhas, não tem qualquer relação com os tempos de crise actuais ou com uma visão economicista à escala doméstica. Nada disso! Foi pura casualidade. Pediram-me, literalmente, para fazer desaparecer uma saco com boqueirões congelados que jaziam numa determinada arca congeladora. Quando peguei neles não pensei muito no destino a dar-lhes, mas quando me apercebi que até já estavam arranjadas pensei que poderiam ter algum potencial na minha cozinha. Assim, surgiu esta focaccia de boqueirões.

A receita da massa veiode O Livros das Técnicas Culinárias (Le Gordon Bleu) e já tinha sido antes testada num pão recheado com pasta de azeitonas pretas e alecrim. Para a massa necessita-se de:

- 25 g de fermento de padeiro, ou 1 2/3 de colher de sopa de fermento granulado e 1/2 colher de chá de açúcar
- 300 ml de água morna
- 900 g de farinha de trigo
- 2 colheres de chá de sal
- 4 colheres de sopa de azeite
- alecrim

Fiz apenas metade da receita, por isso necessitei de fazer alguns ajustamentos na quantidade de água. Aliás, é normal que isso aconteça porque as farinhas têm distintas capacidades de absorção dos líquidos. Comecei exactamente por peneirar a farinha com o sal refinado, fazendo depois um buraco no meio onde coloquei o fermento, o açúcar, o azeite e a água morna. Amassei durante cerca de 10 minutos. Depois coloquei a bola de massa numa tigela enfarinha (ou untada com azeite) e tapei com um pano húmido. No meu caso, por preguiça, o pano estava seco. Deixei levedar durante 2 horas, até dobrar de volume, em local abrigado.

Depois da massa levedada, foi sovada durante 2-3 minutos, altura em que lhe juntei o alecrim fresco cortados aos bocadinhos. Deixei descansar 5 minutos e coloquei a massa, neste caso numa tarteira, untada com azeite. Fui calcando com as pontas dos dedos até ter todo o fundo coberto. Por cima coloquei os boqueirões, uns filetes de anchovas de conserva, bocadinhos de tomate seco que tem estado conservado em azeite, alho picado e cebola roxa em fatias finas. Para além disso salpiquei com mais alecrim fresco e reguei com um fio de azeite.

O meu único problema foi ter de tirar as espinhas aos boqueirões. Sou muito preguiçosa para comer peixe. Estou a pensar que na próxima vez posso utilizar filetes, já sem espinhas. Também recebi outras sugestões de mudança, porém a receita agradou e agora talvez leve uma fatia aos donos da arca congeladora de onde saíram estes exemplares piscícolas.