domingo, 30 de Maio de 2010

Queques "descabelados"

Esgotavam-se as últimas horas de uma tarde de sábado, atípica em alguns aspectos. A anunciada avaria da televisão tinha-se finalmente concretizado. Já há dias que o aparelho resistia a ser ligado, mantendo-se durante minutos, que aumentaram progressivamente, num ritmo enervante de "clique, clique, ..." até finalmente aparecerem umas riscas no ecrã e por fim a imagem. Mas hoje isso não aconteceu! Estamos por isso a redescobrir o silêncio propício à leitura e à escrita.

Tenho diante de mim um bule com chá e um tabuleiro de queques. Olho para eles, sorrio, e penso que os vou baptizar de "queques descabelados", porque os pedacinhos de chocolate em pé lembram-me a cabeleira de alguém completamente desesperado. Enquanto como um desses queques e bebo uma chávena de chá Butterfly Taiwan, um Wu Long de sabor suave e com baixo teor em teína, leio a entrevista que o Drº. David Servan-Schreider deu ao jornal Público (29 de Maio de 2010). Sou sua admiradora e sigo-lhe os conselhos. Por isso, fico entusiasmada quando no final da entrevista refere que está a "trabalhar num livro de receitas de cozinha, com indicações muito precisas em termos de alimentação. É que convém que o resultado seja saboroso". A afirmação é ainda mais surpreendente na medida em que é colocada em paralelo com um projecto de investigação na Universidade do Texas.

A propósito de livros de cozinha, hoje passei pelo site da "minha editora" online e tive a agradável surpresa de verificar que ao fim de 6 meses consegui vender um e-book. Só espero que não tenha sido sido a nenhum familiar, nem amigo, tal facto deixaria o meu ego de rastos, muito mais do que ter vendido apenas um livro. Nunca percebi muito bem o funcionamento da dita empresa e já por diversas vezes tenho estado tentada a retirá-lo do espaço virtual. Dou mais uma dentada num "queque descabelado" e bebo outro gole de chá. Fico mais calma e reconsidero, decido que vou manter o livro. Afinal o iPAD está a chegar a Portugal e quem sabe se depois não se transforma num sucesso.

Mas voltando ao Drº. Servan-Scheiber fico a pensar que ele aprovaria esta receita de queques. Primeiro porque usei farinhas de origem biológica (arroz e alfarroba), para além disso também os enriqueci com ómega 3 através da adição de sementes de linhaça moídas e de nozes. Claro que em lugar do chocolate branco, teria sido mais saudável colocar chocolate preto na cobertura, mas teria perdido o efeito "descabelado" com que ficaram. E afinal sorrir também é um bom remédio.

Para quem quiser experimentar estes saudáveis queques, aqui fica a receita:

2 chávenas de chá de farinha de arroz
1/2 chávena de chá de farinha de alfarroba
1 colher de sopa de canela
1 colher de sopa (bem cheia) de sementes de linhaça moídas
4 colheres de sopa de açúcar mascavado
1 colher de sopa (rasa) de fermento
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1/2 colher de chá de extracto de baunilha
1 mais 1/2 chávena de chá de leite magro
2 ovos
1/2 chávena de nozes grosseiramente partidas

Misturar tudo e colocar em formas de queques. Tem um tempo de cozedura entre os 15 e os 20 minutos. Quanto à cobertura, esta foi feita com os queques já frios, e para o efeito utilizei umas "gotas" de chocolate branco com sabor a laranja que comprei, em Madrid, numa casa especializada em chocolates. Estas "gotas" derretem-se muito facilmente no microondas e podem ser depois utilizadas como cobertura. Por brincadeira resolvi dar este efeito "descabelado".

8 comentários:

  1. Fiquei descabelada ao olhar para estes queques...com uma enorme vontade de os "pentear" com os dentes!...

    babette

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  2. Olá, Babette. Adorei o seu comentário. Neste momento já foram todos "penteados". Bjs

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  3. bem mas que maravilha e esta
    u bem que provava mas ja nao vim a tempo

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  4. Uns queques sem gluten óptimos para a minha amiga celíaca :) Essas gotas fazem cá um efeito psicadélico he he
    Que livro tens editado? Conta lá tudo :)

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  5. Olá, "Ameixa"
    Há alguns meses, ainda não tinha aberto este espaço, fui contactada pela Bubok para publicar um livro de cozinha (e-book). Na altura fiquei entusiasmada e coloquei mãos à obra. O resultado final não foi o que esperava, porque um livro de cozinha requer uma formatação mais profissional, depois as fotografias tiveram de ser tratadas, etc., uma série de problemas. Por teimosia acabei por publicar. O preço dos e-books é escolhido por nós, mas o do livro encadernado não. O qual devido às fotografias e ao número de páginas ficou-se caríssimo, de tal modo que nem eu própria comprei um volume. Depois fui contactada por outra empresa brasileira, mas como não fiquei muito "feliz" com esta experiência não tentei de novo. De qualquer forma cada vez há mais empresas deste tipo e penso que o marcado dos e-books irá aumentar muito em breve. Quanto às receitas poderás encontrá-las no blogue A minha cozinha. No livro apenas acrescentei uns textos introdutórios e fiz melhorias na redacção. Esqueci-me de referir que nestas empresas podemos sempre publicar os nossos livros. Aliás, penso que só contactaram alguns autores de blogues numa fase inicial, quando ainda estavam em lançamento da empresa no mercado. Bjs

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  6. A auto-publicação implica algumas dificuldades. Entendemos bem, por exemplo, o seu caso, com as fotografias em todas as páginas de facto o livro encarece e pode afastar os compradores. Mas, se achar que pudemos ajudar não deixe de nos contactar. Aliás, de "me" contactar, deixo já aqui o meu email marta.furtado@bubok.com

    Ah! vou tomar nota desta receita, não tenho muito jeito mas talvez me aventure...

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  7. Olá, Marta
    Obrigada pelo seu comentário. Já tenho tido algumas ideias para resolver os problemas que referi anteriormente, que depois lhe transmitirei por mail. A questão das fotografias para mim é um aspecto importante, de tal forma que até já comprei uma outra máquina para não voltar a ter os mesmos problemas. Obrigada pelo apoio da Bubok. Bjs

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  8. This looks amazing, I wish the ingredients and recipe was in english. Would be perfect for Halloween. :)

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